Doença de Parkinson: avanços na proteção do cérebro

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

09 dezembro 2015
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Investigadores norte-americanos conseguiram ajudar o cérebro de ratinhos a produzir mais gangliosídeo GM1, uma substância protetora que se encontra reduzida no cérebro dos pacientes com doença de Parkinson, revela um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 
Apesar de existirem vários tratamentos para avaliar os sintomas da doença de Parkinson, até à data, nenhum retarda de forma fiável a progressão da doença. Estudos realizados em 2013 demonstraram que o gangliosídeo GM1 poderia não só aliviar os sintomas dos pacientes como abrandar a progressão da doença. Contudo, tem sido difícil produzir e administrar o gangliosídeo GM1 aos pacientes para utilização regular.
 
“O gangliosídeo GM1 demonstrou ser uma grande promessa para os pacientes com doença de Parkinson. Contudo, tendo em conta as dificuldades de produzir o GM1, queríamos ver se conseguíamos levar o cérebro a produzir o seu próprio GM1”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Jay Schneider.
 
O gangliosídeo GM1 é habitualmente produzido pelas células nervosas do cérebro. Contudo, esta proteína é produzida a níveis muito baixos nos pacientes com doença de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.
 
Apesar de os estudos anteriores terem demonstrado que os pacientes aos quais tinham sido administrado gangliosídeo GM1 apresentavam melhorias nos sintomas e progressão da doença, atualmente esta proteína é extraída a partir de substâncias de cérebro de vacas, que têm vários problemas de produção e segurança. Adicionalmente, o gangliosídeo GM1 não pode ser produzido sinteticamente. 
 
Através da análise da literatura existente, os investigadores da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, verificaram que uma enzima denominada por sialidase era capaz de converter outras moléculas de gangliosídeo, que se produzem naturalmente no cérebro, em gangliosídeo GM1. 
 
Esta ideia foi testada num modelo de ratinho da doença de Parkinson. Após terem inserido uma bomba que injetava continuamente a sialidase no cérebro dos ratinhos, os investigadores simularam o início da doença de Parkinson. Verificou-se que havia uma proteção neuronal a níveis semelhantes aos encontrados nos ratinhos injetados diretamente com o gangliosídeo GM1.
 
“Estamos muito entusiasmados por ver que isto funciona no modelo de ratinho. Como a administração da sialidase necessita da implementação de um sistema de bombas, estamos atualmente a trabalhar numa terapia genética alternativa para melhorar os níveis de gangliosídeo GM1 no cérebro”, referiu o investigador.
 
De acordo com os autores do estudo, o desenvolvimento de alternativas mais adequadas para aumentar os níveis de gangliosídeo GM1 no cérebro pode ser benéfico para várias doenças, nomeadamente na doença de Huntington e doença de Alzheimer.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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