Doença de Lyme: descobertas aves hospedeiras

Estudo da Universidade de Coimbra

08 janeiro 2013
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O melro-preto é um dos principais hospedeiros da bactéria Borrelia burgdorferi, responsável pela doença de Lyme, doença que pode provocar “lesões graves no sistema neurológico, dermatológico e articular”, concluíram os investigadores da Universidade de Coimbra (UC).
 

A descoberta é o resultado da primeira investigação efetuada em Portugal sobre “o papel das aves como hospedeiros reservatório” daquela bactéria e como “agente de disseminação de doenças infeciosas”, dá conta uma nota da reitoria da UC, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

A bactéria Borrelia burgdorferi sI, que é mantida na natureza por “vários grupos de vertebrados, incluindo, além das aves, algumas espécies de mamíferos e répteis”, é transmitida por carraças” disse, à agência Lusa, a coordenadora do estudo, Cláudia Norte.
 

A doença de Lyme, cuja incidência é particularmente elevada nas regiões temperadas do hemisfério norte, designadamente na Europa central, foi detetada pela primeira vez em Portugal em 1989, “tendo sido diagnosticado o primeiro caso na região de Évora”.
 

Apesar de esta ser “uma patologia de baixa incidência no nosso país” – surgem, em média, 35 novos casos por ano –, “é importante que as pessoas estejam informadas sobre o risco de transmissão” da doença e saibam como a prevenir, diz Cláudia Norte.
 

“O uso de roupas claras” nos campos e matas, onde normalmente existem carraças, e retirar “o mais rapidamente possível, alguma carraça que, porventura, se aloje no corpo” são alguns dos cuidados sugeridos pela especialista, salientando que “a bactéria demora algumas horas a passar efetivamente para o homem”.
 

O diagnóstico da patologia “é difícil, uma vez que os sintomas iniciais” (irritação da pele e febre) são idênticos aos de outras doenças, mas, adverte a investigadora, “não há motivo para alarme”, tanto mais que os resultados da investigação não atingem dimensão preocupante, sublinha.
 

O estudo publicado na revista “Environmental Microbiology’ e “Experimental Applied Accarology” fornece assim “informações valiosas, para definir as áreas de risco e fatores que influenciam a emergência de patologias transmitidas por carraças e, eventualmente, para evitar surtos de doenças”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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