Doença de Huntington: nova abordagem de tratamento

Estudo realizado pela Universidade da Colômbia Britânica

29 maio 2014
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O bloqueio de uma classe específica de recetores do glutamato pode melhorar a aprendizagem motora e a coordenação e ainda impedir a morte celular em modelos animais da doença de Huntington, defende um estudo apresentado no encontro anual da associação de Neurociências Canadiana.
 

A doença de Huntington é uma doença hereditária que pode ser detetada décadas antes do aparecimento de quaisquer sintomas clínicos. Assim, um melhor conhecimento das alterações precoces na função das células cerebrais e das vias moleculares subjacentes a essas alterações, pode conduzir a tratamentos preventivos que atrasem o aparecimento de sintomas e a neurodegeneração.
 

O neurotransmissor glutamato é há muito conhecido por promover a morte celular, os seus efeitos tóxicos ocorrem através da ação de uma família de recetores conhecidos por NMDARs. Infelizmente o tratamento das doenças do sistema nervoso através do bloqueio destes recetores não têm tido sucesso porque estes tratamentos apresentam vários efeitos secundários associados.
 

Vários estudos têm sugerido que os NMDARs localizados em diferentes regiões da superfície dos neurónios podem ter efeitos opostos. Estes achados podem explicar por que motivo o bloqueio de todos os recetores não é uma boa opção de tratamento.
 

Muitos dos recetores dos neurotransmissores estão localizados nas sinapses, mas existem outros que se encontram fora destas estruturas que permitem a passagem de sinais químicos ou elétricos entre os neurónios. Muitos estudos recentes têm sugerido que os NMDARs localizados nas sinapses aumentam a sobrevivência dos sinais e promovem a aprendizagem e memória. Por outro lado, os NMDARs localizados fora das sinapses inibem a sobrevivência dos sinais, interferindo deste modo com os mecanismos de aprendizagem e aumentando as vias envolvidas na morte celular.
 

Neste estudo, os investigadores Universidade da Colômbia Britânica, no Canadá, foram capazes de atrasar, em modelos animais, o desenvolvimento dos sintomas da doença de Huntington através da utilização de um fármaco capaz de bloquear seletivamente os NMDARs localizados fora das sinapses. Estes resultados podem, na opinião dos investigadores, conduzir a novos tratamentos e ainda atrasar o aparecimento dos sintomas.
 

Uma das autoras do estudo, Lynn Raymond, refere que o fármaco utilizado, a memantina, está a ser atualmente utilizado no tratamento do estádio moderado da doença de Alzheimer. Os investigadores concluem que são necessários ensaios clínicos que envolvam a utilização de memantina e outros fármacos de atuação semelhante, particularmente no estádio pré-sintomático.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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