Doença de Huntington: identificado novo alvo terapêutico

Estudo publicado na revista “Plos Biology”

29 novembro 2013
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Investigadores do Reino Undo identificaram um novo alvo para intervenções terapêuticas da doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa de início tardio, dá conta um estudo publicado na revista “Plos Biology”.
 
A doença de Huntington, que afeta cerca de um em 10.000 indivíduos, conduz a graves problemas de movimento, função mental e comportamento. Os pacientes morrem habitualmente 20 anos após o início dos sintomas, não havendo nenhum tratamento que modifique o início da doença ou a sua progressão. 
 
Esta doença é causada por uma mutação num gene que codifica a proteína huntingtina fazendo com que esta se autodegrade no núcleo e no citoplasma das células, o que afeta várias aspetos da função celular e conduzem em última instância à morte progressiva das células nervosas. 
 
Estudos anteriores constataram que os agregados de proteína interferiam com a transcrição de vários genes. Foi também apurado que a inibição de uma família de enzimas, conhecidas por histonas deacetilases ou HDAC, que estão envolvidas na transcrição, tinha efeitos benéficos na doença de Huntington. No entanto, os humanos têm 11 HDACs diferentes e até à data não se sabia qual delas deveria ser inibida para que estes benéficos ocorressem. 
 
Neste estudo, os investigadores, liderados por Gillian P. Bates, identificaram uma das enzimas que poderia funcionar com alvo terapêutico, a HDAC4. Foi verificado que esta enzima era capaz de se associar diretamente com a proteína huntingtina.
 
Através de estudos realizados em modelos animais para a doença de Huntington, os investigadores verificaram que a redução dos níveis de HDAC4 para cerca de metade atrasava a agregação da proteína huntingtina no citoplasma. Desta forma foi identificada uma nova via para modelar a toxicidade da proteína huntingtina mutante.
 
De acordo com os investigadores, a redução dos níveis da HDAC4 poderá resgatar a função global das células nervosas e suas sinapses, melhorando a coordenação do movimento, o rendimento neurológico e a vida útil dos ratinhos. 
 
Os autores do estudo dizem que ainda é cedo para se pensar em potenciais aplicações médicas decorrentes dos resultados deste estudo, uma vez que que ainda não foram realizados ensaios clínicos. Contudo, estudos realizados em ratinhos mostraram que a utilização do ácido hidroxámico como inibidor da HDAC melhorou os distúrbios de movimento, tendo também diminuído os níveis da HDAC4. Assim, o desenvolvimento de compostos que tenham por alvo a HDAC4 poderá ser uma estratégia importante para os pacientes com doença de Huntington.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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