Doença de Crohn: fibrose pode ser evitada

Estudo publicado na revista “Science Immunology”

07 setembro 2016
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Investigadores do Canadá descobriram como evitar a fibrose na doença de Crohn, dá conta um estudo publicado na revista “Science Immunology”.
 

A doença de Crohn é uma condição que causa inflamação da parede do sistema digestivo. Apesar de a doença poder afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, as áreas mais afetadas são a extremidade do intestino delgado (íleo) ou o intestino grosso (cólon).
 

Uma das complicações principais da doença de Crohn é o desenvolvimento de fibrose, em que os intestinos ficam bloqueados pela presença de tecido conjuntivo e cicatricial dificultando a passagem de alimentos e fezes. A fibrose ocorre devido à produção excessiva de proteínas, incluindo colagénio, que estão habitualmente envolvidas no processo de cicatrização do tecido.
 

Apesar de existirem formas de tratar a inflamação associada à doença de Crohn, não há tratamentos eficazes para tratar a fibrose. Assim, perceber como a fibrose ocorre pode ajudar os cientistas a desenvolver novos tratamentos contra esta condição.
 

Habitualmente, os pacientes necessitam de ser submetidos a uma cirurgia para restaurar a digestão. Aliás, cerca de 70% dos pacientes necessita de cirurgia, 30% dos pacientes sujeitos à cirurgia apresentam recidivas dos sintomas nos três anos seguintes e até 60% têm recidivas nos 10 anos seguintes.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, descobriram uma mutação que impede ratinhos de desenvolverem fibrose, após terem sido infetados com um tipo de salmonela que produz os mesmos sintomas que a doença de Crohn. Verificou-se que esta mutação “desliga” o recetor de uma hormona que é responsável por induzir parte da resposta imune do organismo.
 

Kelly McNagny, um dos autores do estudo, referiu que podem ter encontrado as células inflamatórias que conduzem à fibrose. “O gene que estava mutado nessas células é um recetor hormonal, e existem medicamentos disponíveis que podem ser capazes de bloquear o recetor nas células normais e prevenir a doença fibrótica”, acrescentou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Os cientistas esperam que estes achados possam também ser aplicados a outros tipos de tecido que também são alvo de fibrose.
 

“A fibrose é uma reposta à inflamação crónica, mas também é um processo que ocorre durante o envelhecimento normal. Se for possível reverter este processo, encontrámos basicamente uma forma de promover a regeneração em vez da degeneração", explicou o líder do estudo, Bernard Lo.
 

A cirrose hepática, a doença renal crónica, as cicatrizes decorrentes de um enfarte agudo do miocárdio e a degeneração muscular dão origem a fibroses. Kelly McNagny acredita que é possível bloquear as complicações de todas estas doenças fibróticas associadas à idade através da diminuição deste tipo de células inflamatórias específicas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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