Doença de Crohn: descoberto novo mecanismo

Estudo publicado na revista “Gut”

27 abril 2015
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Um estudo demonstrou que o desequilíbrio bacteriano no aparelho digestivo de ratinhos pode conduzir a uma inflamação semelhante à doença de Crohn, podendo ser transmissível a outros animais.
 
A doença de Crohn integra o grupo das doenças inflamatórias intestinais. Embora tenha sido provado possuir uma componente genética, parece que a configuração desfavorável das redes de bactérias intestinais desempenha um papel naquelas doenças, através da inflamação.
 
O estudo conduzido por uma equipa da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, poderá conduzir a mais desenvolvimentos da prática de transplante de bactérias “saudáveis” para os intestinos de pacientes e tornar-se uma prática comum no tratamento da doença de Crohn.
 
Para o estudo a equipa transplantou o microbioma de animais doentes nos intestinos de ratinhos saudáveis, tendo estes últimos desenvolvido sintomas específicos da doença de Crohn. 
 
Dirk Haller, diretor da disciplina de Nutrição e Imunologia comenta: “embora tenhamos usado ratinhos que tinham uma maior predisposição genética para a inflamação de tipo Crohn, não desenvolveram sintomas até lhes terem sido transferidas bactérias intestinais de animais afetados”.
 
Um dos achados mais relevantes do estudo foi o facto de a doença inflamatória intestinal crónica não ser causada por um único tipo de bactérias. O especialista comenta que “tem a ver muito mais com as comunidades bacterianas presentes”, especificando que “parece que algumas combinações de bactérias são ‘disbióticas’ ou desequilibradas e as características das mesmas podem agora ser explicadas”. 
 
Os investigadores conseguiram também perceber melhor o papel de um tipo de células presentes no revestimento epitelial do intestino delgado, as células Paneth, que fazem parte da defesa imunitária do aparelho digestivo. 
 
É já sabido que estas células morrem quando ocorre a doença de Crohn, mas não se sabia ainda que esta apoptose desencadeava a doença ou o desequilíbrio microbiano. O estudo indica que a perda de função daquelas células é o resultado da inflamação e não a causa da mesma.
 
A doença de Crohn afeta cerca de 40 em cada 100 mil pessoas nos países desenvolvidos. Em Portugal os índices apontam para 2,4 por cada 100 mil pessoas para a Doença de Crohn e que entre sete mil e 15.000 pessoas sofram de doença inflamatória intestinal.
 
Os tratamentos atuais possibilitam o controlo dos sintomas da doença, permitindo aos doentes terem uma vida normal. No entanto, na maioria dos casos, a inflamação volta após um período de tempo. “Os achados do nosso estudo irão ajudar a proporcionar uma base científica para melhorar esta abordagem – e poderá funcionar”, conclui Dirk Haller. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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