Doença de Alzheimer: resveratrol parece restaurar integridade da barreira sangue-cérebro

Estudo da Universidade de Georgetown

09 agosto 2016
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A administração de resveratrol aos pacientes com doença de Alzheimer parece restaurar a integridade da barreira sangue-cérebro, reduzindo a capacidade de as moléculas imunes prejudiciais secretadas pelas células imunitárias se infiltrarem nos tecidos cerebrais, dá conta um estudo apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer 2016.
 
O estudo conduzido pelos investigadores da Universidade Georgetown, nos EUA, apurou que a redução na inflamação neuronal abrandou o declínio cognitivo dos pacientes, comparativamente com o grupo de pacientes tratados com um placebo.
 
O cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer está danificado pela inflamação, que se pensa ser resultante de uma reação à acumulação de proteínas anormais, incluindo a Abeta40 e Abeta42, associadas à destruição dos neurónios. Os investigadores acreditam que a inflamação aumentada, que se acreditava que tinha proveniência apenas das células imunes cerebrais residentes, piora a doença.
 
De acordo com os investigadores, liderados R. Scott Turner, o estudo sugere que algumas das moléculas imunes que podem causar inflamação no sangue podem entrar no cérebro através de uma barreira sangue-cérebro com fugas. 
 
Charbel Moussa, uma das autoras do estudo, refere que os resultados agora encontrados indicam que o resveratrol impõe uma espécie de controlo no cérebro, ao excluir as moléculas imunes indesejadas que podem exacerbar a inflamação cerebral e matar os neurónios. 
 
O resveratrol é um composto natural que se encontra presente em alimentos, como uvas vermelhas, framboesas e chocolate negro. Um estudo anterior levado a cabo pela mesma equipa de investigadores já tinha apurado que este composto parecia impedir ou pelo menos abrandar a progressão da doença.
 
Neste estudo, os investigadores decidiram analisar a presença de moléculas específicas no líquido cefalorraquidiano de pacientes com doença de Alzheimer. A 19 dos pacientes foi administrado um placebo e outros 19 foram tratados diariamente com resveratrol, o equivalente à quantidade encontrada em mil garrafas de vinho tinto.
 
Estudos realizados em animais tinham já constatado que as doenças associadas ao envelhecimento, incluindo a doença de Alzheimer, poderiam ser prevenidas ou abrandadas através da restrição calórica a longo prazo. Neste estudo, foi utilizado o resveratrol, uma vez que mimetiza os efeitos da restrição calórica e também ativa um tipo de proteínas conhecidas por sirtuínas.
 
O estudo apurou que os pacientes tratados com este composto apresentavam uma redução de 50% nos níveis da metaloproteinase-9 (MMP-9) no líquido cefalorraquidiano. Os níveis desta proteína diminuem quando a sirtuína-1 (SIRT1) está ativada. Os níveis elevados da MMP-9 causam uma rutura na barreira sangue-cérebro, permitindo que as proteínas e as moléculas do organismo entrem no cérebro. Habitualmente esta barreira é mantida na presença de níveis baixos de MMP-9.
 
Os investigadores verificaram também que o resveratrol aumentava o nível de moléculas associadas a uma reação imunitária benéfica a longo prazo, o que sugere o envolvimento de células inflamatórias residentes no cérebro. 
 
“Estes achados são muito interessantes uma vez que aumentam o nosso conhecimento sobre como o resveratrol pode ser clinicamente benéfico para os indivíduos com doença de Alzheimer. Especificamente apontam para um papel importante da inflamação na doença e para os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol”, concluiu R. Scott Turner.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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