Doença de Alzheimer resulta de um mecanismo anti-tumoral?

Estudo publicado na “PLoS ONE”

09 outubro 2012
  |  Partilhar:

A rápida deterioração  das células cerebrais dos pacientes com doença de Alzheimer pode ser o resultado de um mecanismo utilizado pelo organismo para se proteger contra o cancro, sugere um estudo publicado na “PLoS ONE”.
 

À medida que se envelhece, maior é o número de células que se replicaram. Contudo, a cada ciclo de replicação, ocorrem alguns danos no ADN. Deste modo, cada geração de células acumula mais danos no ADN, até que atinge um determinado ponto em que há uma grande probabilidade de ficar fora do controlo e o tumor começa a formar-se. Contudo, o organismo desenvolveu mecanismos para se proteger contra este tipo de eventos.
 

Um dos mecanismos é apoptose ou suicídio das células afetadas. O outro é um processo conhecido por senescência, onde há alterações biológicas que impedem a divisão das células e o seu normal funcionamento, sendo as células reduzidas a proteínas tóxicas. Alguns estudos anteriores demonstraram que este processo despoleta a inflamação.
 

Apesar deste tipo de mecanismo ter sido provavelmente útil no passado, quando a esperança de vida era curta, atualmente é contraproducente. Assim, à medida que se envelhece as células senescentes continuam a produzir toxinas que conduzem à inflamação.
 

À luz desta informação os investigadores da University College of Medicine, nos EUA, colocaram a hipótese da doença de Alzheimer ser causada pela inflamação resultante das células senescentes. Para testar esta hipótese os investigadores simularam os efeitos do envelhecimento tendo observado que as células pararam de se dividir, começavam a expressar genes associados à senescência e produziam elevadas quantidades de proteínas inflamatórias.
 

O estudo apurou que as células envolvidas neste processo eram os astrócitos, que representam cerca de 80 a 90 % das células cerebrais e que apoiam os neurónios a “limpar” as placas de beta amilóide que são características da doença de Alzheimer.
 

A partir de amostras do cérebro de fetos, indivíduos entre 35 e 50 anos e entre 78 e 90 anos foi verificado que os indivíduos com mais de 35 anos tinham até oito vezes mais células senescentes que os fetos. O estudo constatou que 30% dos astrócitos provenientes dos cérebros dos indivíduos saudáveis que tinham entre 80 e 90 anos, tinham-se tornado senescentes. Contudo, esta percentagem era 10% maior para os pacientes com Alzheimer.
 

Os autores do estudo propõem que a acumulação de astrócitos senescentes “pode estar associada com o envelhecimento e o risco aumentado da doença de Alzheimer”. Assim, este estudo poderá ajudar os investigadores a analisar esta e outras doenças neurodegenerativas, onde a idade é um fator de risco, de um ângulo diferente.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar