Doença de Alzheimer pode ter origem no útero

Estudo publicado na revista “Acta Neuropathologica”

31 janeiro 2017
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As reações bioquímicas que causam a doença de Alzheimer podem começar no útero ou logo após o nascimento se o feto ou o recém-nascido não receber uma quantidade suficiente de vitamina A, atesta um estudo publicado na revista “Acta Neuropathologica”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, também demonstrou que os suplementos administrados aos recém-nascidos com níveis baixos de vitamina A poderiam retardar esta doença degenerativa cerebral. 
 
De acordo com Weihong Song, um dos autores do estudo, este trabalho demonstra claramente que uma deficiência marginal da vitamina A, mesmo no início da gravidez, tem efeitos prejudiciais e duradouros no desenvolvimento do cérebro e pode facilitar o desenvolvimento da doença de Alzheimer mais tarde na vida. 
 
Estudos anteriores já tinham constatado que existia uma associação entre níveis baixos de vitamina A e os défices cognitivos. Neste estudo, os investigadores analisaram os efeitos da privação da vitamina A no útero e na infância num modelo de ratinhos para a doença de Alzheimer. Estes estadios iniciais do desenvolvimento são períodos crucias, durante o qual o tecido cerebral é “programado” para o resto da vida.
 
O estudo apurou que mesmo uma deficiência ligeira nos níveis de vitamina A aumentou a produção da beta-amiloide, a proteína que forma placas que sufocam e que, em última análise, matam os neurónios na doença de Alzheimer. Verificou-se que na presença de níveis baixos de vitamina A, estes animais tinham um pior desempenho em testes de aprendizagem e memória.
 
Os investigadores verificaram ainda que os ratinhos com privação de vitamina A no útero e alimentados com uma dieta normal enquanto crias tinham um pior desempenho, comparativamente com os animais que tinham uma quantidade normal de nutrientes no útero, mas com níveis deficientes da vitamina após o nascimento. 
 
Adicionalmente os investigadores demonstraram que este efeito poderia ser revertido. Verificou-se que os ratinhos com níveis deficientes de vitamina A no útero e aos quais foi administrado suplementos imediatamente após o nascimento tiveram um melhor desempenho nos testes, do que os animais que não receberam os suplementos.
 
O estudo também forneceu novas evidências da associação entre a vitamina A e o desenvolvimento de demência em humanos. Através da análise de 330 idosos, os investigadores constataram que 75% daqueles com deficiência de vitamina A ligeira ou significativa apresentavam deterioração cognitiva, comparativamente com os 47% daqueles com níveis normais de vitamina A.
 
Weihong Song refere que estes resultados devem ser encarados com alguma cautela uma vez que a ingestão excessiva de nutrientes pode ser prejudicial. Em particular, as mulheres grávidas não devem ingerir quantidades excessivas de vitamina A. Uma dieta equilibrada é a melhor forma de assegurar níveis adequados de nutrientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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