Doença de Alzheimer: pode ser tratada com terapia genética?

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

13 outubro 2016
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Investigadores do Reino Unido desenvolveram um método capaz de impedir o desenvolvimento da doença de Alzheimer através da injeção de um vírus que transporta um gene específico para o cérebro, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, já tinham sugerido que este gene, denominado PGC1-alfa, poderia impedir a formação da proteína beta-amiloide nas células.
 

O peptídeo beta-amiloide é o principal componente das placas beta-amiloide presentes no cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer. Acredita-se que estas placas desencadeiem a morte das células cerebrais. Os sintomas desta doença, para a qual ainda não existe cura, incluem perda de memória, confusão e alteração de humor ou personalidade.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram um vírus modificado, denominado vetor lentivírus, que é habitualmente utilizado na terapia genética. O vírus, que continha o gene PGC1-alfa, foi injetado em duas áreas do cérebro de ratinhos suscetíveis à doença de Alzheimer, o hipocampo e o córtex, que são as primeiras a desenvolver placas amiloide. A proteína PGC1-alfa está envolvida em processos metabólicos, incluindo na regulação do metabolismo do açúcar e gordura.
 

Os danos no hipocampo afetam a memória de curto prazo e fazem com que um indivíduo se esqueça de eventos recentes, como uma conversa ou o que comeu ao pequeno-almoço. O hipocampo também é responsável pela orientação, sendo que os danos nesta área podem, por exemplo, fazer com que as pessoas se percam em percursos conhecidos.
 

Por outro lado, o córtex é responsável pela memória de longo prazo, raciocínio e humor. Os danos nesta zona do cérebro podem desencadear sintomas como depressão, dificuldade em se vestir ou cozinhar uma receita habitual.
 

No estudo, os animais foram tratados nos estadios iniciais da doença de Alzheimer, quando as placas amiloides ainda não se tinham desenvolvido. Após quatro meses, os investigadores constataram que os ratinhos que receberam o gene tinham menos placas amiloides e um melhor desempenho nas tarefas de memória, comparativamente com os animais do grupo de controlo.
 

O estudo apurou ainda que não houve perda de células cerebrais no hipocampo dos ratinhos tratados. Estes animais apresentaram também uma redução no número de células da glia, que, no caso da doença de Alzheimer, podem libertar substâncias inflamatórias que causam mais danos.
 

Os autores do estudo concluem que esta terapia genética pode abrir portas para o desenvolvimento de novos e potenciais tratamentos para a doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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