Doença de Alzheimer pode começar em idades precoces

Gene específico determina aparecimento da doença

29 dezembro 2003
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O ex-presidente norte-americano, Ronald Reagan, está há já alguns anos agora preso a uma cama, vítima de um estado avançado da doença de Alzheimer, raramente fica acordado e é incapaz de andar e falar. Segundo a revista People da semana passada, a sua filha Patti Davis desvendou as razões para o desaparecimento público do pai. Reagan, de 92 anos, continua activo, mas longe de olhares curiosos, dado que a sua família cuida bem da sua privacidade.
 

Se os estudos já tivessem avançado o suficiente, Regan, bem como milhões de pessoas que sofrem desta doença, não estaria confinado ao seu quarto. Uma investigação recente, realizada com jovens adultos que apresentam uma mutação genética vinculada com a doença de Alzheimer, indica que esta doença degenerativa do cérebro começa décadas antes de se manifestarem os sintomas.
 

Caso se venha a confirmar este estudo, os investigadores poderão desenvolver terapias preventivas para serem aplicadas anos antes de a doença se tornar evidente. Uma equipa encabeçada por investigadores do centro médico Banner Good Samaritan, de Phoenix, estado norte-americano de Arizona, realizou exames de ressonância magnética aos cérebros de 12 pacientes jovens que apresentam uma mutação no gene APOE associada a um alto risco de incidência da doença.
 

Os investigadores descobriram que os pacientes têm algumas das mesmas mudanças metabólicas observadas em pessoas com casos avançados e moderados de Alzheimer. «Quem apresenta este gene tem actividade cerebral reduzida em cada uma das regiões do cérebro que são afectadas mais tarde e progressivamente entre os pacientes com Alzheimer», explicou Eric M. Reiman, autor principal do estudo publicado na semana passada na revista da Academia Nacional de Ciências de Estados Unidos.
 

Reiman ressalvou, no entanto, que os investigadores não conseguiram demonstrar a relação entre as mudanças metabólicas e o desenvolvimento da doença, mas a descoberta «indica que existem mudanças cerebrais muitos anos antes de um possível aparecimento de problemas de memória e pensamento».
 

«Estas mudanças no cérebro, em princípio, são a base para o desenvolvimento de algumas das anomalias microscópicas e metabólicas que vemos em pacientes que atingem a terceira idade», acrescentou o especialista.
 

Bill Thies, vice-presidente de Assuntos Médicos e Científicos da Associação norte-americana de Alzheimer, disse à CNN que o estudo de Reiman é parte de um esforço de numerosos investigadores para encontrar uma forma de identificar, em idades precoces, quem irá sofrer mais tarde de problemas de memória associados à doença.
 

Actualmente não existe uma terapia preventiva para a Alzheimer, no entanto Thies explicou que para se desenvolver uma terapia é necessário que os médicos realizem exames para identificar os pacientes que podem sofrer da doença.
 

Para o cientista, os estudos recentes sobre a forma como o cérebro processa a glucose em doentes com Alzheimer são altamente promissores para a procura de pistas precoces da doença.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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