Doença de Alzheimer: olhos podem ajudar no diagnóstico

Estudo apresentado na reunião anual da Sociedade de Neurociência

18 novembro 2013
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A perda de uma camada específica das células da retina pode ser indicadora da presença de doença de Alzheimer e proporcionar uma nova forma de acompanhar a sua progressão, dá conta um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade de Neurociência.
 

“A retina é uma extensão do cérebro, desta forma faz sentido verificar se é possível também encontrar nos olhos os mesmos processos patológicos presentes no cérebro com Alzheimer. Sabemos que há uma associação entre o glaucoma e a doença de Alzheimer e que ambas se caracterizam pela perda de neurónios, contudo os mecanismos ainda não estão perfeitamente clarificados” revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, R. Scott Turner.
 

A maioria da investigação que tem analisado, até à data, a associação entre o glaucoma e doença de Alzheimer tem-se focado nas células glanglionares da retina, que transmitem a informação visual através do nervo ótico do cérebro. Contudo, antes de a transmissão ocorrer, as células ganglionares da retina recebem informação de uma outra camada da retina conhecida por camada nuclear interna.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Georgetown, nos EUA e da Universidade de Hong Kong, na China, analisaram as retinas de ratinhos geneticamente modificados para desenvolver doença de Alzheimer. Foi especificamente analisada a espessura da retina, incluindo a camada nuclear interna e a camada que contém as células ganglionares da retina.
 

O estudo apurou que havia uma perda de espessura nas duas camadas. A camada nuclear interna e a camada que contém as células ganglionares da retina tiveram uma perda de espessura na ordem dos de 37 e 49%, respetivamente, quando comparados com a retina de ratinhos saudáveis.  
 

Nos humanos, a estrutura e espessura da retina podem ser facilmente medidas através de uma tomografia de coerência ótica. “Os resultados deste estudo ajudam a compreender melhor o processo da doença e poderá conduzir a novas formas de diagnosticar ou prever a doença de Alzheimer, a qual pode ser tão simples como uma análise aos olhos. Os mecanismos da doença paralela sugerem que os novos tratamentos desenvolvidos para a doença de Alzheimer podem ser também úteis para o glaucoma”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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