Doença de Alzheimer: novo composto poderá detetar estadios iniciais

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

04 novembro 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um composto químico, o fluselenamil, que deteta a proteína beta-amiloide associada à doença de Alzheimer de uma forma mais eficaz que os compostos atualmente aprovados pela FDA, a agência responsável nos EUA. Este composto poderá ser utilizado em tomografias para identificação dos sinais precoces da doença ou para monitorização da resposta ao tratamento, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
Os neurónios que se encontram perto das placas amiloides encontram-se frequentemente mortos ou danificados. Esta perda de células cerebrais é responsável pela dificuldade de raciocínio e perda de memória dos pacientes com doença de Alzheimer. 
 
As placas amiloides podem ser difusas ou compactas, sendo estas últimas associadas à doença de Alzheimer. Por outro lado, acredita-se que as placas difusas são benignas, uma vez que podem ser encontradas nos cérebros dos idosos sem sintomas da doença. Contudo, estas placas também podem ser encontradas nos cérebros dos pacientes com doença Alzheimer. Vijay Sharma acredita que as placas difusas podem ser um marcador dos estadios iniciais da doença de Alzheimer. Contudo, os compostos aprovados não detetam estas placas difusas.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, utilizaram proteínas beta-amiloides humanas e demonstraram que o fluselenamil se ligava duas a dez vezes melhor a estas proteínas que os três agentes imagiológicos aprovados pela FDA para a deteção da proteína beta-amilóide.
 
O fluselenamil deteta aglomerados muito menores de proteína, o que indica que talvez seja capaz de detetar as alterações cerebrais associadas à doença de Alzheimer precoce. O composto foi utilizado para marcar amostras do tecido cerebral de pacientes que tinham morrido com a doença. Como controlos foram utilizadas amostras de indivíduos com uma idade similar, que tinham falecido de outras causas. 
 
Os investigadores verificaram que as amostras dos pacientes com doença de Alzheimer apresentavam, contrariamente aos indivíduos saudáveis, placas beta-amilóide. Quando incorporaram um átomo radioativo no composto, os investigadores verificaram que havia uma pequena interação entre o fluselenamil e a substância branca saudável presente nas amostras.
 
Vijay Sharma, um dos autores do estudo, refere que um dos problemas dos agentes atuais é que se ligam indiscriminadamente à substância branca saudável, o que cria falsos negativos. Experiências realizadas em ratinhos também conduziram a resultados semelhantes.
 
Os cientistas verificaram ainda que quando o fluselenamil ligado ao átomo radioativo era injetado intravenosamente, o composto era capaz de atravessar a barreira sangue-cérebro, ligar-se às placas e ser detetado através de tomografias por emissão de positrões. O próximo passo será testar este composto promissor nos humanos. 
 
"Um dia poderemos ser capazes de utilizar o fluselenamil como parte de um teste de triagem para identificar segmentos da população que estão em risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Este é o objetivo a longo prazo”, concluiu Vijay Sharma.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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