Doença de Alzheimer: novo composto identificado

Estudo publicado na revista “Annals of Neurology”

06 junho 2014
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Investigadores americanos identificaram um composto que reduziu em mais de metade os níveis da proteína beta-amilóide associada à doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Annals of Neurology”.
 

O principal alvo para a prevenção da doença de Alzheimer é a proteína beta-amilóide. Décadas antes de a demência ter início, estas proteínas acumulam-se e formam agregados no cérebro. Acredita-se que uma boa estratégia de prevenção da doença envolva a diminuição moderada da produção desta proteína no final da meia-idade, o que, em parte, retiraria algum peso aos mecanismos de limpeza naturais do cérebro.
 

Num estudo realizado há cerca de dois anos, foi observado um mecanismo semelhante, que ocorre de forma natural. Devido a uma mutação genética que diminui para metade a produção da proteína beta-amilóide, 0,5% dos islandeses demonstraram ter um declínio cognitivo mais lento, viveram mais tempo e quase nunca foram diagnosticados com doença de Alzheimer
 

A prevenção da demência de Alzheimer é considerada mais viável do que a interrupção da doença após ter tido início, quando o dano cerebral já é grave. Contudo, os fármacos testados em ensaios clínicos não têm conseguido sequer abrandar a progressão da doença nos estádios finais.
 

Neste estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, os investigadores testaram uma bateria de compostos tendo apurado que o 2-PMAP reduzia a produção da proteína percursora da beta-amilóide. Através de estudos realizados em culturas de células foi verificado que este composto era capaz de diminuir em cerca de 50% os níveis de proteína beta-amilóide, mesmo a baixas concentrações.
 

Resultados semelhantes foram observados em experiências in vivo. Neste caso, foram utilizados ratinhos geneticamente modificados os quais tinham as mesmas mutações genéticas encontradas nos doentes com Alzheimer. Ao quarto dia de tratamento o composto foi capaz de diminuir os níveis da proteína percursora da beta-amilóide e também da proteína beta-amilóide. Ao fim de quatro meses de tratamento havia uma redução considerável dos depósitos de proteína e os défices cognitivos associados à doença tinham sido impedidos.
 

Os investigadores encontram-se já a realizar algumas modificações ao composto para melhorar a sua eficácia. Contudo, o 2-PMAP parece já ter vantagens sobre outros compostos, uma vez que consegue atravessar eficazmente a barreira sangue-cérebro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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