Doença de Alzheimer: novo alvo de tratamento identificado

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

17 junho 2014
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobriram um novo alvo para o tratamento da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Este estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade Estadual de Penn, nos EUA, foi motivado pelo insucesso dos últimos ensaios clínicos realizados, os quais se centraram num alvo já bem conhecido da doença, a formação de placas beta-amilóide no cérebro.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Gong Chen, decidiram agora tentar encontrar novos alvos terapêuticos para o diagnóstico e tratamento da doença. Esta equipa de investigadores descobriu recentemente que havia uma concentração anormalmente elevada de um neurotransmissor inibidor no cérebro dos pacientes com Alzheimer que tinham falecido.
 

Mais precisamente, foi observada a presença do neurotransmissor GABA nos astrócitos (um tipo de células cerebrais) reativos numa estrutura central do cérebro conhecida por giro dentado. Esta estrutura é a porta de entrada do hipocampo, uma área do cérebro crítica para a aprendizagem e memória.
 

“Os nossos resultados sugerem que a concentração excessivamente elevada do GABA nos astrócitos reativos pode funcionar como um novo biomarcador (…) e ferramenta de diagnóstico e tratamento da doença de Alzheimer”, referiu o investigador.
 

Os investigadores desenvolveram também novos métodos para avaliar a concentração do neurotransmissor no cérebro de ratinhos saudáveis e geneticamente modificados para a doença de Alzheimer. Foi verificada que a elevada concentração do GABA nos astrócitos reativos do giro dentado estava associada a um menor desempenho dos animais nos testes de memória e aprendizagem, a que tinham sido submetidos.
 

O estudo apurou ainda que esta elevada concentração do neurotransmissor nos astrócitos reativos é libertada através de um transportador GABA específico dos astrócitos, o qual pode funcionar como um novo alvo terapêutico. De facto, foi verificado que a inibição deste transportador e consequentemente do GABA nos ratinhos com doença de Alzheimer melhorou a capacidade de memória.
 

“Os nossos resultados sugerem que a redução do GABA nos neurónios do giro dentado poderá conduzir a um novo tratamento para a doença de Alzheimer. Uma terapia eficaz poderia incluir um cocktail de compostos que atuariam simultaneamente em vários alvos terapêuticos”, conclui Gong Chen.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.