Doença de Alzheimer: nova variante associada a acumulação da proteína beta amiloide

Estudo publicado na revista “Brain”

08 outubro 2015
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Investigadores americanos descobriram um gene do sistema imunológico associado a elevadas taxas de acumulação da proteína beta amiloide no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer e em idosos em risco de doença, dá conta um estudo publicado na revista “Brains”.
 
A equipa liderada pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, nos EUA, descobriu que uma variante do gene IL1RAP estava associada a uma maior acumulação da placa amiloide ao longo de dois anos e que este efeito era maior do que associado ao alelo APOE e4, já conhecido no âmbito do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
 
Através da utilização de tomografia por emissão de positrões, os investigadores foram capazes de avaliar os níveis da acumulação da proteína beta amiloide no cérebro em cerca de 500 indivíduos no início do estudo e dois anos mais tarde. Posteriormente foi realizada uma análise genómica para identificar as variantes genéticas associadas à taxa de acumulação da proteína ao longo dos dois anos.
 
Tal como esperado, verificou-se que a variante APOE e4 estava associada a taxas elevadas de acumulação da proteína. Contudo, os investigadores ficaram surpreendidos ao verificar que a L1RA, que codifica para um fator sinalizar imunológico, demonstrou uma influência independente e ainda mais forte na acumulação da proteína.
 
“Este é um achado intrigante, uma vez que o IL1RAP é conhecido por desempenhar um papel na atividade das microglias, células do sistema imunitário que agem como sistema de recolha do lixo do cérebro, tendo sido o foco de investigação de várias doenças neurodegenerativas”, revelou, em comunicado, um dos autores do estudo, Vijay K. Ramanan.
 
O estudo apurou ainda que a variante IL1RAP estava associada a uma menor atividade das células da microglia, uma maior atrofia de uma região do cérebro envolvida na memória (córtex temporal), um declínio cognitivo mais rápido e um maior risco de progressão de problemas cognitivos ligeiros para a doença de Alzheimer.
 
“Estes achados sugerem que a via IL1RAP pode ser um alvo viável para eliminar os depósitos da proteína beta amiloide e combater uma causa importante da doença de Alzheimer”, disse um outro autor do estudo, Andrew Saykin.
 
De acordo com o investigador, já existem fármacos que têm por alvo a via IL-1/IL1RAP para condições inflamatórias e reumatológicas. Existem também anticorpos com a IL1RAP que estão a ser testados para tratar determinadas formas de leucemia. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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