Doença de Alzheimer: nova classe de fármacos restaura perda de memória e prolonga a vida

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

22 dezembro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou um novo alvo terapêutico que não só é capaz de melhorar os sintomas da degeneração cerebral associada à doença de Alzheimer, mas também de aumentar a vida útil de ratinhos em fase terminal, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 

O estudo, liderado por Andrew Tobin, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, descreve moléculas semelhantes a fármacos que são capazes de restaurar a perda de memória e abrandar a progressão da doença degenerativa.
 

No estudo foram utilizados ratinhos cujas células cerebrais estavam progressivamente a morrer, tal como acontece na doença de Alzheimer. Os investigadores focaram-se numa proteína específica no cérebro que já tinha sido associada à doença de Alzheimer e como tal poderia funcionar como um potencial alvo de novos fármacos.
 

Após terem tratado os animais com uma nova classe de fármacos, os cientistas verificaram que estes não só melhoraram os sintomas da degeneração cerebral, como o declínio cognitivo, mas também estenderam a vida destes ratinhos doentes terminais.
 

Ensaios clínicos prévios realizados em pacientes com doença de Alzheimer já tinham demonstrado que a utilização de fármacos que ativam este recetor proteico no cérebro conduzia a resultados positivos no que diz respeito à melhoria da função cognitiva. Contudo, verificou-se que os pacientes apresentavam um grande número de efeitos secundários.
 

No entanto, esta nova classe de fármacos, denominada por ligandos alostéricos, é mais seletiva e não causa nenhum efeito secundário quando administrada nos ratinhos. Verificou-se que estes ligandos têm como alvo uma proteína, o recetor muscarínico M1, que está presente no cérebro. A ativação deste recetor pode não só melhorar a função cognitiva, como, no caso de os fármacos serem administrados diariamente pode aumentar a longevidade.
 

De acordo com o investigador, este estudo pode fornecer informações importantes sobre a possibilidade de esta proteína ser um alvo farmacológico viável para o tratamento de doenças associadas à morte progressiva das células cerebrais.
 

Andrew Tobin conclui que este estudo é muito importante para a sociedade, uma vez que as opções de tratamento para a doença de Alzheimer são muito limitadas. Na verdade ainda não existe cura para esta doença e os tratamentos atuais focam-se apenas no alívio de alguns dos sintomas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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