Doença de Alzheimer: molécula mostra-se promissora

Estudo publicado na revista “Cell”

30 janeiro 2017
  |  Partilhar:
Em alguns indivíduos a proteína tau, envolvida no funcionamento saudável dos neurónios, forma emaranhados tóxicos que danificam as células cerebrais e contribuem para a doença de Alzheimer. Investigadores americanos descobriram uma molécula que é capaz de diminuir os níveis de tau e impedir alguns dos danos neurológicos, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
O estudo conduzido pelos investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, sugere que a molécula, um oligonucleótideo antisense, pode potencialmente tratar doenças neurodegenerativas caracterizadas pela proteína tau disfuncional, incluindo a doença de Alzheimer.
 
Os investigadores, liderados por Timothy Miller, estudaram ratinhos geneticamente modificados que produziam uma forma mutada da proteína tau humana que facilmente formava agregados. Os animais começaram a apresentar emaranhados por volta dos seis meses e alguns danos neuronais por volta dos nove.
 
De forma a reduzir a proteína tau, os investigadores utilizaram um oligonucleótideo antisense, um tipo de molécula que interfere com as instruções envolvidas na produção de proteínas. O oligonucleótideo anti-tau foi administrado diariamente a ratinhos com noves meses de idade todos ao longo de um mês. Aos 12 meses de idade foi medida a quantidade de ARN da tau, a tau total, bem como os emaranhados da proteína nos cérebros dos animais. Os níveis destes três parâmetros foram significativamente reduzidos nos ratinhos tratados, comparativamente com aqueles que receberam um placebo.
 
O estudo apurou que os níveis da tau totais e dos emaranhados da tau nos cérebros dos ratinhos com 12 meses que foram tratados eram menores que os observados em ratinhos com nove meses que não foram alvo de tratamento. Estes resultados sugerem que o tratamento não só impediu como reverteu a acumulação da tau. 
 
Os investigadores constataram que o hipocampo, uma zona do cérebro envolvida na memória, dos ratinhos geneticamente modificados apresentava uma diminuição considerável, bem como neurónios mortos. Contudo, o tratamento com o oligonucleótideo interrompeu a morte celular e a diminuição do volume do hipocampo. 
 
No total os ratinhos tratados viveram mais 36 meses que os não tratados e foram melhores a construir ninhos o que reflete um melhor comportamento social, desempenho cognitivo e capacidades motoras. Todas estas funções estão afetadas nos indivíduos com Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas associadas à tau. Experiências realizadas em macacos conduziram a resultados semelhantes.
 
Os investigadores concluíram que estes achados sugerem um potencial tratamento para as doenças neurodegenerativas associadas à tau.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar