Doença de Alzheimer: mais um passo no tratamento

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

16 agosto 2013
  |  Partilhar:

O cientista português Luís Maia participou num estudo que envolveu o desenvolvimento de um modelo animal para a doença de Alzheimer, o que irá permitir analisar o desenvolvimento deste distúrbio antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
 

O estudo, publicado na revista “Science Translational Medicine”, e ao qual a agência Lusa teve acesso, abre caminho ao desenvolvimento de tratamentos capazes de parar a doença de Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas, ou seja, antes de ocorrer qualquer dano importante no cérebro do paciente.
 

A doença de Alzheimer, atualmente incurável, é uma doença neurodegenerativa que tem uma evolução lenta e o aparecimento dos primeiros sintomas “leva mais de 10 anos (…) sendo este período pré-clínico [pré-sintomas], o momento ideal para intervir”, refere o artigo científico.
 

A investigação de Luís Maia e Stephan Kaiser verificou que “as alterações ocorridas no fluido cefalorraquidiano dos modelos animais da doença de Alzheimer eram paralelas à progressão da doença, podendo ser utilizadas para monitorizar a doença sem recurso aos sintomas”.
 

A observação de que os biomarcadores (alterações biológicas que sinalizam a doença) – peptídeo beta amiloide (Ab) e proteína tau – no fluido cefalorraquidiano de doentes de Alzheimer poderiam dar informações sobre a progressão da doença “foi particularmente interessante, porque abre a possibilidade de finalmente ser possível intervir durante o período pré-clínico da doença”.
 

A investigação mostrou que, “à medida que se desenvolvem as placas Ab (no cérebro), a concentração do peptídeo Ab no fluido cefalorraquidiano diminui e a da proteína tau aumenta”, assim “ocorre numa escala de tempo muito semelhante ao que é visto em humanos”, indica o artigo.
 

Os investigadores dizem ser necessário continuar a investigar, mas consideram possível que os ratos transgénicos possam ser “usados para testar novos medicamentos para a doença de Alzheimer, utilizando as análises ao fluido cefalorraquidiano para acompanhamento da doença (ou dos potenciais efeitos dos fármacos), o que significa que os resultados podem ser transferíveis em relação aos doentes pré-clínicos”, adianta o texto.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.