Doença de Alzheimer: identificada zona zero

Estudo publicado na revista “Trends in Cognitive Sciences”

19 fevereiro 2016
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Uma região crítica (mas vulnerável) do cérebro parece ser o primeiro local afetado pela doença de Alzheimer de início tardio e pode ser mais importante para manter a função cognitiva mais tarde na vida do que anteriormente se pensava, sugere um estudo de revisão publicado na revista “Trends in Cognitive Sciences”.


O locus coeruleus é uma pequena parte azulada do tronco cerebral que liberta norepinefrina, um neurotransmissor responsável pela regulação do ritmo cardíaco, atenção, memória e função cognitiva. As suas células ou neurónios enviam axónios semelhantes a ramificações ao longo de grande parte do cérebro e ajudam a regular a atividade dos vasos sanguíneos.


De acordo com a líder do estudo, Mara Mather, esta elevada interligação pode torná-lo mais suscetível aos efeitos das toxinas e infeções, comparativamente com outras zonas do cérebro.


A investigadora da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, refere que o locus coeruleus é a primeira região do cérebro a apresentar a patologia tau, a disseminação lenta de emaranhados de proteína que pode mais tarde converter-se em sinais da doença de Alzheimer. Apesar de nem todos os indivíduos desenvolverem doença de Alzheimer, os resultados das autópsias têm indicado que a maioria dos pacientes tem algumas indicações iniciais de patologia tau no locus coeruleus, no início da idade adulta.


A norepinefrina libertada do locus coeruleus poderá contribuir para a prevenção dos sintomas da doença de Alzheimer. Estudos realizados em ratos e ratinhos demonstraram que a norepinefrina ajuda a proteger os neurónios de fatores que matam as células e aceleram a doença de Alzheimer, como a inflamação e a estimulação excessiva de outros neurotransmissores.
 

A norepinefrina é libertada quando alguém se dedica ou é mentalmente desafiado por uma atividade, nomeadamente a resolução de problemas, fazer um puzzle ou tocar uma peça de musical complexa.
 

Mara Mather refere que a educação e as carreiras produzem uma “reserva cognitiva” em idades avançadas ou um desempenho efetivo do cérebro, apesar da invasão da patologia. A investigadora conclui que a ativação do sistema locus coeruleus–norepinefrina, através da novidade e desafios mentais ao longo da vida pode contribuir para a reserva cognitiva.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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