Doença de Alzheimer: identificação da fase pré-clínica

Estudo publicado na revista “Lancet Neurology”

26 setembro 2013
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Uma equipa internacional de investigadores validou um novo sistema recentemente proposto para a identificação e classificação dos indivíduos com doença de Alzheimer em fase pré-clinica, dá conta um estudo publicado na revista “Lancet Neurology”.
 

Há muito que a comunidade científica tenta perceber de que modo a doença de Alzheimer afeta o cérebro antes da perda de memória e da demência serem clinicamente detetáveis. A maioria dos investigadores acredita que esta fase pré-clínica, que se pode prolongar até uma década antes do aparecimento sintomas, é uma fase em que a doença pode ser controlada ou impedida.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, e da Universidade de Maastricht, na Holanda, decidiram validar em 311 indivíduos saudáveis e com 65 anos ou mais de idade, o sistema de classificação da doença de Alzheimer em fase pré-clinica. Este sistema tinha sido proposto por um painel de especialistas da área há cerca de dois anos atrás.
 

O sistema de classificação proposto divide a fase pré-clínica de Alzheimer em três estadios. Genericamente o primeiro estadio é caracterizado pela diminuição dos níveis da proteína beta-amilóide na espinal medula; o segundo estadio ocorre quando há um aumento da proteína tau na espinal medula, indicando que as células cerebrais estão a começar a morrer, e o terceiro estadio é definido com níveis anormais das duas proteínas mencionadas e alterações cognitivas que podem ser detetadas através de um teste neuropsicológico.  
 

Os resultados deste novo estudo sugerem que de facto a fase pré-clínica da doença pode ser detetada ao longo da vida de um indivíduo, que esta é comum nos idosos com uma função cognitiva normal e que está associada com um futuro declínio mental e mortalidade. De acordo com os investigadores, estes resultados sugerem que a fase pré-clínica pode ser um alvo importante para a adoção de uma intervenção terapêutica.
 

Os autores do estudo acreditam que estes achados são encorajadores na medida em que este sistema pode ajudar a prever quais os idosos que vão desenvolver a doença e quão rápido as suas funções cerebrais vão sofrer um declínio. Contudo, também colocam algumas questões que têm de ser respondidas antes de este sistema de classificação ser utilizado na prática clínica.
 

“Ter o conhecimento da fase em que os indivíduos se encontram poderá a ajudar a melhorar o desenho de ensaios clínicos com intuito de desenvolver novos tratamentos. Existem ainda muitos passos que têm de ser dados antes de este sistema poder ser utilizado no meio clínico, incluindo a uniformização da forma como os dados são recolhidos e determinação dos indicadores que são mais precisos. Contudo, estes dados são muito convincentes e muito encorajadores”, conclui a líder do estudo, Anne Fagan.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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