Doença de Alzheimer: fármaco anticancerígeno reduz proteína tóxica

Estudo publicado da Universidade Georgetown

02 agosto 2016
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Um fármaco aprovado pela agência americana do medicamento (FDA, sigla em inglês) para tratar o carcinoma de células renais parece reduzir os níveis da proteína tóxica associada à demência nas doenças de Alzheimer e Parkinson, dá conta um estudo apresentando na Conferência Internacional Anual da Associação do Alzheimer.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, apurou que o fármaco pazopanib diminui os níveis da tau fosforilada (p-Tau) em modelos de ratinhos geneticamente modificados para produzirem a tau mutante humana. 
 
Os investigadores já tinham previamente demonstrado em modelos animais que a tau desempenhava um papel importante no “sistema de eliminação do lixo” das células permitindo que estas eliminem as proteínas tóxicas acumuladas. Nos humanos, a p-Tau não é capaz de levar a cabo as suas funções. 
 
Monica Javidnia, uma das autoras do estudo, refere que a equipa constatou que a tau é necessária para a eliminação da beta amiloide, que se acumula em aglomerados denominados placas. Se a tau deixar de funcionar, a acumulação da proteína beta amiloide conduz à morte celular. 
 
A cientista explica que quando a tau é modificada acumula-se nos neurónios formando emaranhados e quando a célula morre, a tau e a beta amiloide disseminam-se no cérebro. “Estas são as placas e emaranhados característicos da doença de Alzheimer”, refere, em comunicado de imprensa. 
 
Os investigadores já tinha apurado, em estudos anteriores, que quando um tipo enzimas, as tirosina cinases, são inibidas o sistema de eliminação do lixo celular começa de novo a funcionar, o que permite que as células eliminem as proteínas tóxicas. O pazopanib é um conhecido inibidor da tirosina cinase.
 
Os investigadores, liderados por Charbel Moussa, identificaram várias tirosina cinases, que parecem desempenhar um papel importante na neurodegeneração, eliminação proteica e inflamação. 
 
Existem duas teorias dominantes no que diz respeito ao principal culpado da doença de Alzheimer, uma defende que é a tau, a outra a beta amiloide. Contudo, Monica Javidnia refere que os resultados do seu laboratório e de outros sugerem que a patologia tau precede a beta amiloide. 
 
Os achados agora revelados mostram que o pazopanib, numa dose equivalente a metade da utilizada no tratamento do carcinoma das células renais, penetra na barreira sangue-cérebro dos ratinhos. Verificou-se que este tratamento, que se mostrou seguro e bem tolerado, conduziu a uma diminuição significativa dos níveis de tau fosforilada. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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