Doença de Alzheimer: excesso de proteína danifica “GPS” do cérebro

Estudo publicado na revista “Neuron”

24 janeiro 2017
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Investigadores americanos descobriram que a desorientação espacial que leva a que muitos pacientes com doença de Alzheimer se percam é causada pela acumulação da proteína tau nas células nervosas de navegação do cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.
 
Segundo o Centro Médico da Universidade de Columbia, nos EUA, em informação veiculada na sua página da Internet, estima-se que três em cada cinco pacientes com doença de Alzheimer perdem-se. Estes eventos, que tendem a ocorrer no estadio inicial da doença, deixam os pacientes mais vulneráveis a lesões.
 
Os investigadores suspeitam que estes problemas têm origem numa área do cérebro conhecida por córtex entorrinal. Esta área desempenha um papel importante na memória, bem como na navegação e é uma das primeiras estruturas cerebrais a ser afetada pela acumulação de emaranhados neurofibrilares que são, na sua maioria, compostos pela proteína tau.
 
No estudo os investigadores, liderados por Karen Duff, focaram-se nas células “rede” excitatórias, um tipo de célula nervosa encontrada no córtex entorrinal que fica ativada em resposta ao movimento no espaço, criando um mapa interno em forma de rede do ambiente em que o indivíduo se encontra. 
 
Os investigadores fizeram registos eletrofisiológicos das células rede em ratinhos mais velhos, que incluíram animais que expressavam proteína tau no córtex entorrinal, e em ratinhos controlo. Verificou-se que, comparativamente com os animais controlo, os outros ratinhos tinham um pior desempenho nas tarefas cognitivas espaciais. Estes achados sugerem que a tau altera a função das células rede e contribui para os problemas de aprendizagem espacial e de memória. 
 
Análises posteriores realizadas aos cérebros dos ratinhos revelaram que apenas as células excitatórias, e não as inibitórias, foram mortas ou comprometidas pela patologia tau, que provavelmente resulta numa menor ativação das células grelha.
 
Eric Kandel, um dos autores do estudo, refere que estes achados demonstram claramente que a patologia tau está associada à deterioração da cognição espacial observada nos indivíduos com doença de Alzheimer.
 
Os resultados sugerem que a desorientação espacial pode ser tratada através da estimulação transcraniana, estimulação cerebral profunda ou terapia baseada na luz.
 
Karen Duff conclui também que estes achados sugerem que pode ser possível desenvolver testes cognitivos de navegação para diagnosticar a doença de Alzheimer nos estadios inicias. Se a doença for diagnosticada precocemente é possível administrar a terapia mais cedo, quando esta tem um maior impacto.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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