Doença de Alzheimer e esquizofrenia: o que têm em comum?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

28 novembro 2014
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Investigadores do Reino Unido encontraram uma rede cerebral específica que parece ser mais suscetível ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, e também a doenças que surgem na juventude, como a esquizofrenia, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, focaram-se numa zona do cérebro conhecida como matéria cinzenta, tendo contado com a participação de 485 indivíduos saudáveis entre os oito e 85 anos de idade. Todos os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas para determinar alterações na estrutura do cérebro ao longo da idade.
 

Através da análise das imagens, os investigadores, liderados por Gwenaëlle Douaud, identificaram uma rede cerebral específica na matéria cinzenta que era a última a desenvolver-se e a primeira a degenerar em idades mais avançadas. Esta rede consiste em regiões que coordenam informação proveniente de diferentes sentidos, apenas se desenvolve no final da adolescência ou início da idade adulta e está associada à capacidade intelectual e memória de longo prazo. Estas capacidades ficam significativamente afetadas nos indivíduos com esquizofrenia e com doença de Alzheimer, respetivamente.
 

Os investigadores observaram que as mesmas áreas cerebrais desempenham um papel importante em duas condições tão diferentes como a doença de Alzheimer e a esquizofrenia. Posteriormente, os investigadores compararam esta rede, identificada nos indivíduos saudáveis, com os padrões de matéria cinzenta danificada presente nos indivíduos com doença de Alzheimer e esquizofrenia.
 

“Alguns médicos já tinham apelidado a esquizofrenia de "demência precoce", mas até agora não tínhamos nenhuma evidência clara de que as mesmas partes do cérebro pudessem estar associadas às duas doenças. Este estudo detalhado e em grande escala fornece uma relação importante e, anteriormente desconhecida, entre o desenvolvimento, envelhecimento e processos patológicos no cérebro”, referiu, em comunicado de imprensa, Hugh Perry, do Conselho de Saúde Mental e de Neurociências do Conselho para a Investigação Médica (MRC, na sigla inglesa), do Reino Unido.
 

"Este estudo levanta questões importantes sobre os possíveis fatores genéticos e ambientais que podem ocorrer no início da vida e ter consequências ao longo desta”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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