Doença de Alzheimer e diabetes qual a ligação?

Estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”

24 julho 2012
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A diabetes poderá ser utilizada como uma ferramenta importante para a investigação da doença de Alzheimer e para o desenvolvimento de novos fármacos para o combate desta doença, refere um estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que havia uma associação entre a doença de Alzheimer e a diabetes. Neste estudo, os investigadores da New Jersey's University of Medicine e da Northwestern University, nos EUA, decidiram investigar se a diabetes poderia funcionar como um modelo fisiológico da neuropatologia da doença de Alzheimer.
 

Os investigadores, liderados por Frederikse, constataram um aumento da patologia associada ao peptídeo beta-amilóide, uma característica da doença de Alzheimer, no córtex cerebral e no hipocampo, quando na presença concomitante de diabetes. Foi também verificada a acumulação desta proteína na retina, mas na ausência de diabetes, este tipo de patologia associada à proteína beta-amilóide não era detetável quer no cérebro, quer na retina.
 

O investigador explicou que neste estudo analisaram a retina por ser considerada uma extensão do cérebro e também por ser de diagnóstico mais acessível. “Os nossos resultados indicam que o início e a progressão da doença de Alzheimer podem ser detetados através do exame à retina, proporcionando um sinal de alerta precoce da doença”, referiu em comunicado de imprensa o investigador.
 

O estudo dá conta que modelo experimental desenvolvido pelos investigadores replica a formação espontânea dos oligómeros beta-amilóide no cérebro e retina, podendo explicar um dos mais reconhecidos sintomas da doença de Alzheimer. "Os oligómeros são as neurotoxinas causadoras de perda de memória na doença Alzheimer. O que conduz ao seu aparecimento e acumulação tem sido um mistério, portanto, estas novas descobertas representam um passo importante”, referiu o investigador.
 

Estudos anteriores tinham revelado que a insulina tem um papel importante na formação das memórias. Uma vez associados aos neurónios, os oligómeros conduzem à eliminação dos recetores de insulina na superfície das membranas, contribuindo desta forma para a resistência à insulina no cérebro. Isto inicia um ciclo no qual a diabetes induz a acumulação dos oligómeros, o que torna por sua vez os neurónios mais resistentes à insulina.
 

De acordo com os autores do estudo, tendo em conta o aumento da epidemia da diabetes e da doença de Alzheimer, o desenvolvimento de um modelo neuropatológico da Alzheimer foi um objetivo importante dado que permitiu a identificação de um potencial biomarcador e de desenvolvimento de fármacos para esta doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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