Doença de Alzheimer e demência frontotemporal: o papel de uma proteína

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

01 outubro 2014
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Investigadores americanos constataram que níveis baixos da proteína progranulina no cérebro pode aumentar a formação de placas beta-amilóide, causar neuroinflamação e agravar os problemas de memória, revela um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Já se sabia que a demência frontotemporal era causada por níveis deficientes de progranulina. Contudo, o papel desta proteína na doença de Alzheimer ainda não estava claro. Apesar de as duas condições serem semelhantes, a demência frontotemporal está associada a danos nas células do córtex frontal, o que conduz a alterações de comportamento e personalidade, enquanto a doença de Alzheimer afeta predominantemente os centros de memória no hipocampo e no córtex temporal.
 

Estudos anteriores demonstraram que os níveis de progranulina estavam elevados em torno das placas no cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer. Contudo, não se sabia se este efeito combatia ou exacerbava a neurodegeneração. Agora, neste estudo, os investigadores do Instituto de Gladstone, nos EUA, demonstraram que a redução dos níveis da proteína podem agravar severamente os sintomas da doença, enquanto o aumento dos níveis de progranulina pode ser uma tentativa do cérebro combater a inflamação associada à doença.
 

De forma a chegarem as estas conclusões, os investigadores manipularam diferentes modelos de ratinhos para a doença de Alzheimer, conseguindo geneticamente aumentar ou diminuir os níveis da progranulina. Verificou-se que a redução da proteína aumentou significativamente a acumulação das placas beta-amilóide no cérebro, bem como os problemas de memória. Níveis baixos desta proteína também despoletaram uma resposta imune exagerada no cérebro, que pode contribuir para os distúrbios neurológicos. Por outro lado, o aumento dos níveis da progranulina diminuiu eficazmente os níveis da beta-amilóide, protegendo contra a toxicidade celular e revertendo os problemas cognitivos característicos destes modelos da doença de Alzheimer.
 

Estes efeitos parecem estar associados ao envolvimento da progranulina na fagocitose, um processo de “limpeza” que elimina as células mortas, debris celular e moléculas de grandes dimensões. Assim, os níveis baixos de progranulina podem afetar este processo conduzindo a um aumento dos depósitos de beta-amilóide no cérebro. Por outro lado, o aumento dos níveis de progranulina aumenta o processo da fagocitose, diminuindo a placa beta-amilóide e prevenindo a morte dos neurónios.
 

“O efeito da progranulina contra a formação dos depósitos de beta-amilóide na toxicidade celular tem importantes implicações terapêuticas. O próximo passo incluirá o desenvolvimento de abordagens para aumentar a progranulina, que pode ser utilizada com um novo e potencial tratamento não apenas para a demência frontotemporal, como também para a doença de Alzheimer”, conclui o líder do estudo Li Gan.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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