Doença de Alzheimer e as alterações das ligações cerebrais

Estudo apresentado na reunião anual da Radiológica Norte-Americana

03 dezembro 2014
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As alterações das ligações cerebrais visíveis numa ressonância magnética podem funcionar como um biomarcador da doença de Alzheimer, sugere um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Radiológica Norte-Americana.
 

A doença de Alzheimer é a forma mais comum da demência. Os tratamentos preventivos podem ser mais eficazes antes do diagnóstico da doença, quando um indivíduo sofre de deterioração cognitiva leve e apresenta uma diminuição das capacidades cognitivas que são notórias, mas não são severas o suficiente para afetar o funcionamento independente.
 

Nos últimos anos, a comunidade científica tem-se focado na beta-amiloide, uma proteína que se encontra em níveis anormalmente elevados nos cérebros dos indivíduos com doença de Alzheimer. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, analisaram agora o conetoma estrutural do cérebro, um mapa dos circuitos da substância branca que transportam sinais entre as diferenças partes do cérebro.
 

“O conetoma fornece uma forma de identificar e medir estas ligações e como estas se alteram ao longo da doença ou idade”, referiu, um dos autores do estudo, Jeffrey W. Prescott.
 

O estudo contou com a participação de 102 pacientes que foram submetidos a imagens de tensor de difusão, um tipo de ressonância magnética que avalia a integridade dos circuitos da substância branca no cérebro ao medir a facilidade com que a água se move neles.
 

As alterações no conetoma foram correlacionadas com os resultados obtidos através de um tipo de tomografia onde foi utilizado o florbetapir, um radiofármaco. A tomografia utilizada mede a quantidade de beta-amiloide no cérebro. O aumento da absorção do florbetapir traduz-se em maiores quantidades de proteína.
 

O estudo apurou que havia uma forte associação entre a absorção do florbetapir e uma diminuição na força da estrutura do conetoma, em cada uma das cinco áreas do cérebro estudadas.
 

De acordo com estes resultados, este tipo de ressonância pode ter um papel importante na avaliação dos danos cerebrais na doença de Alzheimer precoce e na monitorização dos efeitos de novas terapias.
 

“Tradicionalmente, acreditava-se que a doença de Alzheimer tinha efeitos no raciocínio pois danificava a substância cinzenta, onde a maioria das células nervosas estão concentradas. Este estudo sugere que a deposição da proteína beta-amiloide na substância cinzenta afeta as ligações da substância branca, que são essenciais para conduzir as mensagens ao longo de milhares de milhões de células nervosas no cérebro”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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