Doença de Alzheimer: discrepância no diagnóstico e acesso a medicamentos

Estudo da Aliança Alzheimer do Mediterrâneo

13 novembro 2014
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Há discrepâncias ao nível do diagnóstico precoce da doença Alzheimer, dos custos económicos da doença e no acesso aos medicamentos nos vários países que integram o Mediterrâneo, defende um estudo da Aliança Alzheimer do Mediterrâneo.
 

Os resultados do estudo, coordenado por Federico Palermiti, da Associação de Alzheimer do Mónaco, foram apresentados esta semana, em Lisboa, na conferência internacional "Alzheimer e o Mediterrâneo: Trabalhando em parceria para um melhor entendimento”.
 

“O estudo teve como principal objetivo fazer um levantamento das necessidades das pessoas com doença de Alzheimer e os seus cuidadores em vários países do Mediterrâneo”, disse à agência Lusa Maria do Rosário Reis, da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer.
 

Maria do Rosário Reis explicou que, em 2013, foi criada uma aliança das associações de Alzheimer dos vários países do Mediterrâneo (Mónaco, França, Espanha, Egito, Marrocos, etc.) por terem aspetos comuns a nível da cultura e “muito em especial no que diz respeito às demências”.
 

“Existem problemáticas comuns e, ao mesmo tempo, existem grandes disparidades de país para país”, disse a responsável, dando como exemplo o facto de apenas o Mónaco e a França terem planos nacionais para as demências, um plano há muito reivindicado pela Alzheimer Portugal.
 

De forma a apurar a situação relativamente a esta doença, o estudo abordou vários tópicos incluindo, prevalência, políticas públicas, direitos e questões éticas, aspetos socioeconómicos, diagnóstico precoce, formação dos profissionais, investigação, tratamento, cuidados, cultura e cidadania.
 

Os resultados preliminares do estudo sugerem uma discrepância a nível do diagnóstico precoce e dos custos económicos da doença. “Verifica-se que estes custos são mais elevados nos países de baixos e médios rendimentos, entre os quais se incluem Portugal”, adiantou Maria do Rosário Reis.
Verificou-se também divergências relativamente aos quatro medicamentos específicos disponíveis para a doença de Alzheimer. Nalguns destes países apenas dois destes medicamentos estão disponíveis, o que “é bem elucidativo das disparidades que ainda existem”, sublinhou.
 

Relativamente à posição que Portugal ocupa neste estudo, a responsável disse que fica a meio da tabela: “Na verdade, não temos quase nenhumas respostas específicas para estas pessoas”.
 

Contudo, “estas pessoas são acompanhadas, não com a qualidade que desejaríamos em termos globais, mas não estamos na base da hierarquia, estamos a meio”.
A Aliança Alzheimer do Mediterrâneo salienta ainda que “há pouco conhecimento sobre o problema em torno da doença de Alzheimer, que permanece subestimada e pouco documentada, principalmente nos países do Norte da África. Isto vai levar, nos próximos anos, a consequências dramáticas tanto sociais, como de saúde e humanas”, conclui a Aliança.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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