Doença de Alzheimer: confirmado papel central da beta-amiloide

Estudo publicado na revista “Nature”

15 outubro 2014
  |  Partilhar:

Investigadores utilizaram um novo sistema de cultura de células capaz de replicar o curso da doença de Alzheimer e confirmaram que na base desta doença neurodegenerativa está a acumulação da proteína beta-amiloide, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Em meados da década de 80, a comunidade científica colocou a hipótese de os depósitos de beta-amiloide no cérebro serem os responsáveis por todos os eventos subsequentes, os emaranhados neurofibrilares que afetam os neurónios, a morte celular destes e a inflamação que conduz a um ciclo vicioso de morte celular.
 

“Uma das maiores questões, desde então, tem sido se a beta-amiloide provoca realmente a formação dos emaranhados que matam os neurónios. Através deste novo sistema fomos capazes de demonstrar, pela primeira vez, que a deposição de beta-amiloide é suficiente para conduzir à formação de emaranhados e à consequente morte celular”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Rudolph Tanzi.

 

Neste estudo, os investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, utilizaram um sistema de cultura tridimensional, à base de gel, para cultivar as células estaminais neuronais que apresentavam variantes em dois genes: um que codifica a proteína percursora da beta-amiloide e outro que codifica a presenilina 1. As duas variantes são conhecidas por estarem na base da doença de Alzheimer familiar que tem início precoce.
 

Após seis semanas de crescimento, os investigadores verificaram que havia um aumento significativo da forma típica da beta-amiloide, bem como da sua forma tóxica associada à doença. As células também apresentavam os emaranhados neurofibrilares que conduzem à morte celular. O estudo apurou que o bloqueio dos passos essenciais para a formação da beta-amiloide também impedia a formação dos emaranhados. Este achado vem confirmar o papel fundamental da beta-amiloide no início de todo o processo.
 

Este novo sistema, que pode ser adaptado para outras doenças neurodegenerativas, deve revolucionar a descoberta de novos fármacos em termos de velocidade, custos e relevância fisiológica para a doença O teste de fármacos em modelos de ratinhos demora mais de um ano e é muito dispendioso. Com o nosso modelo tridimensional podemos fazer o rastreio a centenas de milhares de fármacos em alguns meses”, concluiu o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.