Doença de Alzheimer: antibiótico restaura comunicação entre células cerebrais

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

18 novembro 2016
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Investigadores do Canadá encontraram uma forma de restaurar parcialmente a comunicação entre células cerebrais em torno das áreas danificadas pelas placas associadas à doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
Os investigadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, identificaram um possível alvo e um potencial tratamento para reduzir os danos no cérebro que ocorrem nos estadios iniciais da doença de Alzheimer.
 
Através da utilização de um antibiótico aprovado pela FDA, a entidade reguladora dos medicamentos nos EUA, para o tratamento de infeções bacterianas, o ceftriaxona, os investigadores reduziram a interrupção sináptica e limparam as linhas de comunicação neuronais em ratinhos.
 
As placas amiloides desenvolvem-se em regiões cerebrais dos pacientes com doença de Alzheimer. Estas placas estão associadas aos danos encontrados nesta doença, uma vez que impedem a comunicação celular e são tóxicas para as células nervosas.
 
Os investigadores, liderados por B. A. MacVicar, verificaram que as áreas do cérebro em torno destas placas apresentavam níveis elevados de glutamato, uma molécula sinalizadora essencial para a comunicação entre as células cerebrais, bem como níveis elevados de hiperatividade na glia, as células de suporte do cérebro. É neste ambiente rico em glutamato que a comunicação entre os neurónios é alterada ou danificada, o que conduz à morte dos neurónios nos estadios avançados da doença.
 
Os cientistas observaram também que as células não eram capazes de remover a acumulação de glutamato nestas áreas cerebrais. Contudo, através da utilização do ceftriaxona foi possível aumentar o transporte do glutamato. Ao restaurar os níveis de glutamato foi possível restabelecer quase por completo a atividade neuronal. 
 
Jasmin Hefendehl, uma das autoras do estudo, explicou que esta disfunção na comunicação celular ocorre em estadios muito precoces da doença, antes de os problemas de memória serem detetados. Desta forma, estes achados são particularmente interessantes, uma vez que abrem portas para uma estratégia de prevenção precoce, impedindo possivelmente ou atrasando a perda de neurónios e de memória.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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