Doença de Alzheimer: agitação pode ser tratada com antidepressivo

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

21 fevereiro 2014
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A toma de uma dose elevada de um antidepressivo comum pode reduzir significativamente a agitação associada aos indivíduos com doença de Alzheimer, sugere um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.
 

A agitação pode ser um dos sintomas mais devastadores da doença de Alzheimer, e é uma das razões pelas quais estes pacientes necessitam de cuidados médicos mais especializados tendo para tal de deixar as suas habitações. Os pacientes tornam-se extremamente mal-humorados, ficam inquietos, resistentes à ajuda, ou podem ainda maltratar, verbalmente ou fisicamente, os seus cuidadores. Infelizmente as opções de tratamento são muito limitadas e os antipsicóticos habitualmente prescritos aumentam o risco de o pacientes ter um acidente vascular cerebral, um enfarte agudo do miocárdio ou morrerem.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Rochester, da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA e de outros seis centros médicos académicos, administraram a 94 pacientes com doença de Alzheimer e agitação 30 mg de citalopram, ao longo de nove semanas. Um outro grupo de 92 pacientes tomou um placebo.
 

No final do estudo, os investigadores constataram que 40% dos pacientes que tinham tomado citalopram tinham sentido algum alívio nos sintomas de agitação, comparativamente com os 26% do grupo de controlo. Estes resultados foram conseguidos através da utilização de duas escalas de avaliação, a Neurobehavioral Rating Scale agitation subscale e a  Alzheimer Disease Cooperative Study-Clinical Global Impression of Change modificada, a quais foram utilizadas no início e no fim do estudo.
 

Os investigadores também verificaram que a toma do antidepressivo teve resultados benéficos na interação entre os pacientes e os seus cuidadores, o que demonstra a relevância clínica e o impacto do tratamento.
 

“Há muito que não conseguíamos obter resultados tão positivos”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo Anton P. Porsteinssonl.
 

Contudo, o estudo refere que a FDA recomenda a toma máxima de 20mg de citalopram para os indivíduos idosos de modo a evitar o prolongamento do intervalo QT, um distúrbio do ritmo cardíaco que pode eventualmente conduzir à morte se não for tratado com sucesso.
 

De facto o estudo verificou que os pacientes que tomaram o citalopram apresentaram um aumento no intervalo QT. Deste modo, os investigadores referiram que são necessários mais estudos ara determinar se uma dose mais baixa é eficaz. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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