Doença de Alzheimer afeta o reconhecimento dos rostos

Estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”

26 abril 2016
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Investigadores do Canadá constataram que, para além dos problemas de memória, a doença de Alzheimer também afeta a capacidade de os pacientes reconhecerem rostos, refere um estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá pode ajudar os familiares dos pacientes com doença de Alzheimer a compreenderem melhor por que motivo estes têm problemas em reconhecê-los e conduzir a novas vias de tratamento para este aspeto doloroso da doença.
 
A perceção do rosto desempenha um papel importante na comunicação humana e é por isso que os humanos se especializaram na deteção e identificação rápida dos rostos. Esta capacidade depende da capacidade de reconhecer o rosto como um todo. Esta competência, também conhecida como perceção holística, contrasta com a análise local e detalhada necessária para distinguir as características faciais, tais como olhos, nariz e boca. 
 
Neste estudo, os investigadores liderados por Sven Joubert contaram com a participação de pacientes com doença de Alzheimer e de indivíduos idosos saudáveis para medir a capacidade de reconhecer fotografias de rostos e carros que estavam numa posição correta ou invertida.
 
O estudo apurou que os resultados dos pacientes com doença de Alzheimer foram muito semelhantes aos do grupo de controlo no que diz respeito à precisão da resposta e tempo que necessitavam para processar os rostos e carros que estavam invertidos. De forma a levar a cabo este tipo de tarefa o cérebro tem de realizar uma análise local dos vários componentes da imagem que são identificados pelos olhos.
 
Contudo, os investigadores verificaram que quando os rostos estavam na posição correta, os pacientes com Alzheimer eram mais lentos e cometiam mais erros, comparativamente com os idosos saudáveis. Na opinião dos investigadores estes resultados sugerem que o reconhecimento holístico dos rostos fica particularmente afetado.
 
Por outro lado, os pacientes com Alzheimer não tiverem quaisquer problemas no reconhecimento dos carros, uma tarefa que, na teoria, não necessita de um processamento holístico. Estes resultados demonstram que a doença de Alzheimer conduz a problemas de perceção visuais que afetam especificamente os rostos. “Ficamos também surpreendidos por termos verificado que esta deterioração está presente nos estadios iniciais da doença”, referiu Sven Joubert.
 
O facto de o reconhecimento facial deficiente poder resultar de um problema de perceção holística, e não apenas de um problema de memória, abre as portas para a adoção de diferentes estratégias, como reconhecimento de determinados traços faciais ou reconhecimento da voz para ajudar os pacientes a identificar os familiares durante mais tempo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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