Doença de Alzheimer: a caminho de fármacos mais eficazes

Estudo da Universidade de Coimbra

15 abril 2014
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Um novo estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Coimbra (UC) poderá ajudar a tornar o diagnóstico da doença de Alzheimer mais claro e a criar fármacos mais eficazes para a fase inicial da doença.
 

Os investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC mostraram, pela primeira vez, “a localização subcelular da proteína precursora da beta-amilóide (APP) que origina a proteína tóxica envolvida no surgimento da doença de Alzheimer”, referiu a UC em comunicado.
 

O comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, também refere que ao mapearem a proteína APP, para identificarem a sua “distribuição em diferentes regiões das sinapses (ligações entre os terminais nervosos responsáveis pela transmissão de informação de um neurónio para outro) e nos diferentes tipos de neurónios”, os especialistas descobriram que “a APP está enriquecida na região pré-sináptica ativa (zona da sinapse onde são libertados os neurónios transmissores) e nos neurónios glutamatérgicos”.
 

Os investigadores explicam que os neurónios glutamatérgicos são responsáveis pela “libertação de glutamato”, que permite que "os neurónios comuniquem entre si”.

 

A investigadora responsável pelo estudo, Paula Agostinho, refere que com este estudo “finalmente percebe-se porque é que na fase inicial da patologia ocorre a perda da conexão entre neurónios (sinapses) e a degeneração dos neurónios glutamatérgicos é a mais acentuada”.
 

Os resultados do estudo, publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”, “além de ajudarem a tornar o diagnóstico da doença de Alzheimer mais claro, permitem desenvolver fármacos mais eficazes na fase inicial da doença, evitando a clivagem da APP (proteína precursora) para impedir a formação da proteína tóxica (beta-amilóide) e direcionar as terapias para o sistema glutamatérgico”, refere Paula Agostinho.
 

Ao descobrir as zonas onde a APP se encontra enriquecida, os investigadores conseguiram responder a questões como “porque é que na doença de Alzheimer existem zonas do cérebro que são particularmente vulneráveis, nomeadamente o hipocampo e o córtex entorinal” e “porque é que uns neurónios são mais afetados do que outros”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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