Doença cerebrovascular determina psicose na doença de Alzheimer

Estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”

07 janeiro 2016
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Investigadores do Canadá descobriram que a doença cerebrovascular, um grupo de condições que restringem a circulação de sangue no cérebro, é um determinante importante da psicose nos indivíduos com doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado no “Journal of Alzheimer's Disease”.
 

Metade dos indivíduos com doença de Alzheimer desenvolve sintomas de psicose, como delírios ou alucinações. Contudo, ainda não estão claros quais são os mecanismos patológicos envolvidos nos sintomas psicóticos, o que limita a capacidade de os controlar e tratar. Alguns estudos têm sugerido que estes sintomas estão relacionados com as causas subjacentes da doença de Alzheimer, nomeadamente a acumulação de proteínas encontradas no cérebro dos pacientes. Contudo, outros estudos não encontraram esta associação.
 

Neste estudo os investigadores do Hospital St. Michael, no Canadá, utilizaram dados recolhidos de 29 centros especializados na doença de Alzheimer nos EUA, entre 2005 e 2012, tendo analisado os dados das autopsias de 1.703 indivíduos.
 

Dos 890 indivíduos diagnosticados clinicamente com doença de Alzheimer, os que tinham mais sintomas psicóticos eram aqueles cujas autopsias apresentavam mais sinais físicos da doença de Alzheimer, como placas neuríticas (acumulação de proteínas) e emaranhados neurofibrilares.
 

No entanto, quando os investigadores analisaram os 728 indivíduos cujas autopsias confirmaram que tinham Alzheimer, aqueles com psicose não apresentavam um aumento da evidência física da doença de Alzheimer. Esta doença só pode ser de facto confirmada através de uma autopsia. Na verdade alguns dos pacientes clinicamente diagnosticados com a doença tinham tido um diagnóstico errado.
 

O estudo apurou que nos dois grupos de pacientes (diagnosticados clinicamente e através da autopsia), a psicose estava significativamente associada com os corpos de Lewy, agregados proteicos anormais encontrados nas células nervosas dos pacientes com doença de Parkinson. Este não foi um achado inesperado uma vez que a psicose é proeminente quando a demência acompanha a doença de Parkinson.
 

No entanto, o que de facto foi inesperado foi o papel relevante na psicose dos fatores de risco vasculares (hipertensão, diabetes, idade da cessação tabágica) e os danos cerebrais associados à doença dos vasos sanguíneos pequenos.
 

Estima-se que cerca de 19% dos indivíduos com doença de Alzheimer sofra de delírios e 14% tenha alucinações. Os sintomas psicóticos são significativos nos pacientes com doença de Alzheimer, tem sido demonstrado que estes aumentam os serviços prestados pelos cuidadores, aumentam o declínio funcional e a progressão mais rápida da doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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