Doença celíaca: novo método de deteção

Estudo publicado na revista “Pediatric Research”

15 março 2016
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Investigadores espanhóis desenvolveram um método novo, simples e não invasivo que permite determinar se uma criança entre os dois e os quatro anos sofre de doença celíaca sem necessidade de recorrer a extração de sangue, dá conta um estudo publicado na revista “Pediatric Research”.
 
Este método desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Granada, em Espanha, não necessita de técnicos experientes (apesar de ter de ser interpretado por profissionais médicos), é rápido (demora cerca de 10 minutos) e é económico (cada dispositivo custa, em média, entre 10 a 12 euros). Adicionalmente, o método é menos invasivo que uma extração sanguínea, o que, no caso da população infantil, é muito importante.
 
A doença celíaca silenciosa passa despercebida aos olhos do médico, pois apresenta poucos sintomas, mesmo impercetíveis para o paciente. A doença celíaca é uma doença sistémica causada pela intolerância permanente ao glúten, que pode ser encontrado no trigo, cevada e centeio, e que afeta as pessoas com predisposição genética. Os pacientes afetados por esta doença têm má absorção intestinal, distensão abdominal, diarreia, dor abdominal, bem como problemas de pele, dores articulares e cefaleias.
 
Atualmente, o diagnóstico da doença baseia-se na sintomatologia clínica, na avaliação de anticorpos da doença celíaca no sangue e num estudo histológico compatível através de uma biópsia intestinal.
 
Este estudo, liderado por José Maldonado Lozano, teve como objetivo a avaliação da prevalência da doença celíaca silenciosa em 198 crianças com idades compreendidas entre os dois e os quatro anos. Foram utilizados novos dispositivos que permitiram detetar os marcadores da doença (autoanticorpos) presentes no sangue capilar.
 
Os investigadores explicam que é necessário apenas uma punção capilar para retirar uma pequena gota de sangue, que em seguida é colocada no dispositivo. No caso de a criança ter a doença aparece uma linha rosa, tal como nos testes de gravidez. A presença desta linha significa a presença de autoanticorpos no sangue característicos da doença celíaca.
 
Os resultados positivos deverão ser confirmados através da extração de sangue e a avaliação dos anticorpos da doença através de outros métodos. Contudo, um resultado negativo permitirá descartar com confiança a doença. Tal como foi comprovado ao longo do estudo, um resultado negativo reduz a zero a probabilidade de a criança sofrer da doença celíaca, dado o seu elevado valor preditivo negativo.
 
O estudo permitiu detetar seis crianças celíacas entre as 198 que participaram no estudo, o que significa uma prevalência muito elevada de 3% (superior à média europeia). As crianças não apresentavam sintomas ou tinham apenas sintomas quase impercetíveis, o que fazia com que os pais não consultassem um pediatra.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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