Doença celíaca é subdiagnosticada em Portugal

Há cerca de 100 mil celíacos "anónimos"

08 maio 2014
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A Doença Celíaca, caracterizada pela "intolerância" ao glúten, que afeta entre 1 e 3% da população portuguesa é subdiagnosticada uma vez que existem cerca de 100 mil celíacos "anónimos".
 

A propósito da 2ª reunião nacional da Doença Celíaca, a realizar sábado, em Braga, a organizadora do evento e médica, Henedina Antunes, revelou à agência Lusa que ainda não é fácil" o dia-a-dia de um celíaco principalmente porque "muitas vezes o é sem saber".
 

A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune, que afeta indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten que, ao ser ingerido, provoca lesões na mucosa do intestino e origina uma diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes.
 

"Em Portugal existe apenas um estudo sobre a DC. Foi feito aqui em Braga e apontou para uma prevalência da patologia em uma em 134 pessoas. Ou seja, estima-se que entre 1 e 3% dos portugueses sejam celíacos", disse Henedina Antunes, também autora do referido estudo.
 

Apesar dos cálculos, em Portugal "apenas estão diagnosticados 10 mil indivíduos", sinal de que esta é uma doença "subdiagnosticada" ainda hoje. "A verdade é que podem existir até cerca de 100 mil celíacos anónimos. Isto tem consequências na saúde destes indivíduos e afeta-os, seguramente, no bem-estar", alertou.

 

Assim a especialista defende que "aos primeiros sinais deve ser feito o rastreio", exame que, disse, "nem é muito dispendioso, mas pode traduzir-se numa melhoria enorme na qualidade de vida" dos doentes.

 

"Há mulheres a quem só é diagnosticada a DC quando querem engravidar e não conseguem. É um exemplo de como se pode chegar à idade adulta sem que seja apontado o problema embora, indiscutivelmente, tenha havido sinais de alarme ao longo da vida", contou.

 

Os sintomas da DC são "na forma típica, que afeta as crianças, diarreias crónicas, distensão abdominal, vómitos, atrasos no crescimento", na "forma atípica, em adultos, anemia, aftas, dores ósseas, caibras, alterações dermatológicas".

 

A DC, embora não seja uma doença "potencialmente fatal", pode levar à morte porque, explicou Henedina Antunes, "a proibição de ingerir glúten é vitalícia" já que "não há cura" para a patologia.

 

"Muitos alimentos têm glúten e as pessoas não o sabem. Todos os derivados de trigo, cevada, centeio e aveia como pão, torradas, bolachas, massas, bolos, cerveja, entre outros. Daí esta ser uma doença associada a áreas indo-europeias onde aqueles prevalecem na alimentação. Mas já há casos de DC em países como a China, efeitos da globalização alimentar", explicou.

 

De acordo com a especialista, "apesar das restrições, não é impossível conviver com esta doença, embora ainda hoje seja difícil", até porque, referiu, "a oferta, apesar de ter crescido nos últimos 10 anos, não é muita e, em regra, estes alimentos preparados sem glúten são mais caros".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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