Doença celíaca: atrasar introdução do glúten não impede a doença

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

06 outubro 2014
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O desenvolvimento da doença celíaca, caracterizado pela perda de tolerância ao glúten, é um processo dinâmico que nem a amamentação materna ou a introdução retardada de alimentos com glúten na alimentação conseguem impedir, defende um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

“Apesar de alguns estudos anteriores terem defendido que há uma janela de tempo, entre os quatro e os sete meses de idade, durante a qual o glúten poderia ser introduzido nas crianças de elevado risco, os nossos resultados indicam que as mães não precisam de se preocupar muito com o momento em que dão este tipo de alimentos aos filhos”, referiu, em comunicado de imprensa, o principal autor do estudo, Carlo Catassi.
 

Este estudo internacional, liderado pelos investigadores do Centro de Investigação Celíaca e Tratamento do Hospital Pediátrico MassGeneral, nos EUA, contou com a participação de 700 bebés considerados de risco devido à presença de doença celíaca em familiares de primeiro grau. Os participantes foram divididos em dois grupos: num dos grupos, os alimentos com glúten foram introduzidos aos seis meses de idade, enquanto no segundo grupo o seu consumo foi só feito aos 12 meses.
 

As crianças foram acompanhadas ao longo de pelo menos cinco anos, período durante o qual foi testada a presença de fatores imunológicos indicadores da doença. Na presença de sinais de autoimunidade foram realizadas biopsias intestinais para determinar se a doença celíaca se tinha desenvolvido.
 

Apesar de uma grande percentagem de crianças que tinham ingerido alimentos com glúten aos seis meses de idade terem apresentado evidências de possível doença celíaca aos dois anos de idade, esta diferença desvaneceu-se entre os dois grupos ao fim dos cinco anos de acompanhamento. No total, 64 crianças do grupo que introduziu o glúten precocemente desenvolveram doença celíaca contra 53 do outro grupo.
 

O único fator que os investigadores relacionaram com o aumento do risco de herdar a doença foi o aparecimento de uma variante genética das moléculas HLA, que fazem parte do sistema imunológico e são conhecidas por estarem associadas à doença célica e a outro tipo de doenças autoimunes.
 

De acordo com Carlo Catassi, um simples teste sanguíneo ao genótipo HLA poderia determinar rapidamente se as crianças se encontravam em risco elevado de desenvolver a doença, podendo este ser o primeiro passo para a prevenção primária. O facto de 80% das crianças ter desenvolvido a doença nos três primeiros anos de vida significa, segundo o investigador, que deve ser dada importância ao rastreio das crianças em idade escolar.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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