Doença cardiovascular: um em quatro portugueses está sob risco

Estudo da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

26 abril 2012
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Um em cada quatro portugueses adultos corre um risco elevado de morrer de enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC) nos próximos 10 anos, mas apenas 30 % toma medicação adequada, dá conta um estudo da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

 

O estudo VIVA teve como objetivo a caraterização dos portugueses em função do nível de risco cardiovascular tendo para isso contado com a participação de 10.004 indivíduos com mais de 18 anos e residente em 44 concelhos do país.

 

De acordo com o estudo, o risco de enfarte agudo do miocárdio ou de AVC é de 24,4% a nível nacional. Regionalmente esse risco elevado vai crescendo de Norte para Sul do país, com 20% na região Norte, 23,9% no Centro, 26,2% na região de Lisboa e Vale do Tejo, 35,5% no Alentejo e 35,9% no Algarve.

 

O estudo avaliou o estado de cada um dos participantes em função de oito fatores de risco: idade, valor da pressão arterial, taxa de colesterol, fumador/não fumador, sexo, sedentarização/exercício físico, obesidade abdominal e histórico familiar de patologias associadas .

 

“Estes oito parâmetros foram introduzidos numa fórmula e, em cada caso, procedeu-se como num semáforo, com o verde para o baixo risco, o amarelo para o risco médio e o vermelho para o risco elevado”, explicou à agência Lusa o vice-presidente da SPC, Carlos Aguiar. O estilo de vida e hábitos saudáveis fazem toda a diferença para o agravamento das situações, mas concretamente nos casos de “vermelho” é obrigatória a toma de medicação adequada.

 

“O problema que detetámos neste estudo é que de todas as pessoas com risco cardiovascular, que são os diabéticos e os que têm antecedentes de problemas cardiovasculares, só 30% é que estão a tomar medicamentos para o colesterol”, enfatiza Carlos Aguiar.

 

De acordo com o especialista, “o problema é que o colesterol não dói, isto é, que o doente com o colesterol elevado pode manter-se na ilusão de que não tem problemas, porque se sente bem, e no entanto estar em situação de risco muito elevado”.

 

O estudo da SPC aponta para três tipos de perceção do seu estado por parte dos 24,4% dos portugueses que têm elevado nível de risco: os que sabem que o têm, porque já tiveram indícios disso, ou estiveram internados, os diabéticos, que também já sabem da sua situação, e um terceiro grupo, as pessoas que não sabem que estão em risco.

 

“Esse é o grupo que mais nos preocupa, é constituído por 10% da população portuguesa, isto é um milhão de pessoas, e não fazem nada para acabar com o seu estado”, enfatiza, apelidando esse grupo como “o grupo dos bocadinhos”.

 

A designação advém de se tratar de pessoas que acumulam em si “um bocadinho” de tensão alta, “um bocadinho” de colesterol elevado, “um bocadinho” de excesso de peso, “enfim um bocadinho de cada um dos fatores de risco da doença, que podem ser oito no máximo, mas que, como são pequeninos, cada um por si, não assustam quem os tem”, explicou.

 

O problema, assegura, é que o risco representado por cada um desses fatores não deve ser somado a um outro, mas sim multiplicado, isto é, “se eu tiver dois pontos de um índice de risco em cada um de três fatores de risco, o meu fator total de risco não é seis mas sim oito”, sublinha.

 

Um dos fatores mais preocupantes revelados pelo VIVA é a prevalência da obesidade abdominal, que atinge 55% nas mulheres e 36% nos homens, o que faz dos portugueses “uma população pançuda”, segundo Carlos Aguiar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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