Doença cardíaca: homens e mulheres têm sintomas semelhantes

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

30 março 2016
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A dor torácica e falta de ar são os sintomas mais comuns relatados por homens e mulheres com suspeita de doença cardíaca, um achado que vai contra os dados anteriores, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Investigação Clínica de Duke, nos EUA, concluiu que as mulheres apresentam um maior número de fatores de risco para doença cardíaca do que os homens. Contudo, as mulheres são mais propensas a serem caracterizadas como tendo um menor risco não só pelos seus prestadores de cuidados de saúde, mas também pela pontuação objetiva que mede e prevê o risco de doença cardíaca.
 
“Os fatores de risco para a doença cardíaca nas mulheres são diferentes nos homens, mas na maior parte dos casos, os sintomas de possíveis bloqueios nas artérias do coração são os mesmos que os observados nos homens”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Kshipra Hemal.
 
Alguns estudos anteriores sugeriram que as mulheres que têm um enfarte agudo do miocárdio são menos propensas a ter sintomas clássicos, como dor torácica, e mais propensas a apresentar sintomas atípicos, como dor nas costas, dor abdominal e fadiga, que podem ser menos facilmente reconhecidos como sintomas de enfarte agudo do miocárdio.
 
De forma a tentar comprovar estes resultados, os investigadores contaram com a participação de 10.003 indivíduos, dos quais 5.200 eram mulheres, sem diagnóstico prévio de doença cardíaca, mas que estavam a ser avaliados para sintomas sugestivos desta doença.
 
Após terem sido submetidos a vários exames para avaliação da função cardíaca, os investigadores constataram que a dor torácica era o principal sintoma relatado por 73,2% das mulheres e 72,3% dos homens. Contudo, os homens eram mais propensos a caracterizar a dor no peito como uma dor moedeira ou ardor, enquanto as mulheres descreviam-na mais frequentemente como pressão ou aperto.
 
O estudo apurou que as mulheres eram mais propensas a ter como sintomas principais dores de costas, pescoço ou maxilar, e palpitações. Por outro lado, os homens queixavam-se mais de fadiga e fraqueza. No entanto, estes sintomas eram relatados por uma minoria dos pacientes. 
 
Comparativamente com os homens, as mulheres tiveram pontuações mais baixas na avaliação de risco de doença cardíaca, sugerindo um menor risco desta doença. Antes de quaisquer testes de diagnóstico serem realizados, os médicos eram mais propensos a considerar que as mulheres tinham menor probabilidade de ter doença cardíaca. Os fatores de risco não tradicionais, tais como depressão, sedentarismo e antecedentes familiares de doença cardíaca precoce, que neste estudo foram mais comumente encontrados nas mulheres do que em homens, estão excluídos na maioria dos questionários de avaliação de risco. 
 
"Para os prestadores de cuidados de saúde, este estudo demonstra a importância de ter em conta as diferenças entre homens e mulheres ao longo de todo o processo de diagnóstico de suspeita de doença cardíaca. Os médicos também necessitam de saber que, na grande maioria dos casos, as mulheres e os homens com suspeita de doença cardíaca têm os mesmos sintomas”, concluiu Kshipra Hemal.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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