Doença cardíaca hereditária e o papel do stress ambiental

Estudo publicado no “Journal of Molecular and Cellular Cardiology”

07 janeiro 2015
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Investigadores americanos descobriram por que motivo apenas alguns indivíduos com cardiomiopatia hereditária desenvolvem sintomas. O estudo publicado no “Journal of Molecular and Cellular Cardiology” apurou que para além das mutações genéticas, o stress ambiental também desempenha um papel importante no desenvolvimento da doença.
 

Na cardiomiopatia hipertrófica, o músculo cardíaco torna-se anormalmente espesso, tornando mais difícil o bombeamento do sangue por parte do coração. A doença pode causar batimentos cardíacos irregulares, como fibrilação atrial, o fluxo sanguíneo obstruído pode causar falta de ar, dor no peito, tonturas e desmaios. Esta doença pode ainda conduzir a problemas na válvula mitral, ao alargamento do ventrículo que reduz a capacidade de o coração bombear sangue, à insuficiência cardíaca e morte súbita cardíaca. Na verdade, esta é a principal causa de morte súbita de origem cardíaca em indivíduos com menos de 30 anos de idade, incluindo muitos atletas.
 

Até à data já foram identificadas mais de 1.400 mutações genéticas associadas à cardiomiopatia hipertrófica. Um indivíduo apresenta 50% de risco de herdar a condição caso um dos progenitores tenha a doença.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Loyola, nos EUA, utilizaram ratinhos que apresentavam mutações que causavam a doença. De forma a avaliar o efeito do stress ambiental, foi utilizado um procedimento que mimetiza a pressão arterial elevada. Verificou-se que o stress ambiental aumentou três indicadores de cardiomiopatia hipertrófica. Os corações tornaram-se mais pesados, a capacidade de bombeamento diminuiu e os níveis de uma proteína (proteína C de ligação à miosina ou cMyBP-C), essencial para o normal funcionamento do coração, também ficaram mais baixos.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados sugerem que os portadores de mutações associadas à cardiomiopatia hipertrófica que ainda não apresentam sintomas podem estar em maior risco de desenvolver a doença devido a vários fatores stressantes, como pressão arterial elevada, diabetes e álcool.
 

Segundo a investigadora da Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos EUA, estes resultados são inesperados e sugerem que o stress desempenha um papel importante no processo da doença, podendo explicar por que motivo só alguns portadores das mutações desenvolvem a doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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