Doença bipolar: tratamento personalizado mais próximo

Estudo publicado na “Translational Psychiatry”

31 março 2014
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Uma equipa de investigadores criou o primeiro modelo de células estaminais para a doença bipolar, o qual poderá abrir portas para as origens da doença e conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos.
 

A doença bipolar é uma doença caracterizada por alterações profundas no humor do paciente. Não se sabe exatamente o que causa a doença e presentemente esta é tratada com estabilizadores de humor, antidepressivos e antipsicóticos. Mas nem todos os pacientes respondem da mesma forma aos fármacos e muitos permanecem com os sintomas fora de controlo.
 

Os investigadores da Universidade do Michigan, EUA, recolheram amostras de pele de pessoas com doença bipolar e de pessoas sem a doença. Seguidamente, a equipa expôs pequenas amostras dessas células da pele a um ambiente cuidadosamente controlado e reverteu-as em células estaminais pluripotentes. Este tipo de células estaminais tem a capacidade de se diferenciar em qualquer outro tipo de célula. De seguida, a equipa converteu as células estaminais pluripotentes em neurónios.
 

Os investigadores mediram a expressão genética das células estaminais pluripotentes e voltaram a fazer essa medição após essas células terem sido convertidas em neurónios. A equipa detetou diferenças significativas entre as células estaminais retiradas dos doentes bipolares e as retiradas dos participantes sem a doença.
 

Os neurónios dos pacientes bipolares expressavam mais genes que codificavam recetores de membrana e canais iónicos, especialmente envolvidos na  sinalização de cálcio entre células, do que os neurónios dos pacientes que não apresentavam a doença. O cálcio desempenha um papel relevante no desenvolvimento e função neuronal.
 

Os investigadores expuseram então os neurónios ao lítio, que é usualmente utilizado para regular as diferenças de humor nos doentes bipolares. O lítio altera a forma como o cálcio é enviado e recebido. Como resultado, os padrões de sinalização sofreram uma alteração. Estas novas linhas celulares permitirão à equipa determinar os mecanismos subjacentes em células específicas de pacientes bipolares.
 

A equipa conclui que esta descoberta parece sugerir que diferenças genéticas nos estádios iniciais do desenvolvimento cerebral poderão contribuir para o desenvolvimento da doença bipolar, bem como de outras doenças mentais em alturas posteriores da vida.
 

Adicionalmente, os investigadores descobriram que os neurónios dos pacientes bipolares eram abordados de forma diferente durante o desenvolvimento, em comparação com os dos participantes não bipolares. Isto significa que a sinalização poderá ser direcionada de forma diferente e afetar o desenvolvimento cerebral.
 

Foram também encontradas diferenças na expressão de microRNA nas células dos pacientes bipolares. Esta descoberta vai ao encontro da teoria que a doença bipolar desenvolve-se a partir de uma combinação de vulnerabilidades genéticas.
 

Melvin McInnis, um dos autores do estudo, considera que o modelo de células estaminais desenvolvido pela equipa poderá conduzir a tratamentos personalizados para a doença bipolar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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