Doença bipolar: mecanismo envolvido nos sintomas foi descoberto

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

18 dezembro 2015
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Investigadores suecos identificaram uma variante genética associada aos sintomas psicóticos e ao distúrbio cognitivo presente nos indivíduos com doença bipolar. O estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry” descreve um possível mecanismo através do qual a variante genética produz sintomas clínicos afetando níveis de proteínas específicas no cérebro.
 

“A ligação aos sintomas é particularmente interessante, uma vez que não há atualmente tratamentos disponíveis para melhorar os problemas de atenção, memória e concentração que têm um grande impacto no resultado funcional e recuperação”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo Mikael Landén.
 

Nos últimos anos, os investigadores identificaram as variantes genéticas específicas que aumentam o risco da doença bipolar e da esquizofrenia, mas estas variantes de risco apenas explicam em parte por que motivo algumas pessoas são ou não afetadas por estas doenças.
 

Atualmente não se sabe como estes fatores de risco genético afetam a química do cérebro e causam sintomas específicos. Deste modo, ainda não é possível os investigadores desenvolverem fármacos capazes de aliviar os sintomas nos indivíduos com uma determinada variante genética. Assim, a ligação, a nível molecular, entre uma variante genética e as alterações bioquímicas e herança da doença psiquiátrica é um grande avanço.
 

Neste estudo os investigadores do Instituto Karolinska e da Universidade de Gothenburg, na Suécia, contaram com a participação de indivíduos com doença bipolar tendo sido mapeado os seus sintomas específicos. Foram também testadas as capacidades cognitivas dos participantes e medidos os níveis de diferentes proteínas no sangue e no líquido cefalorraquidiano, um fluido que fornece uma boa indicação da química do cérebro.
 

O estudo apurou que, uma variante genética do gene SNX7 estava associada aos níveis de uma proteína no líquido cefalorraquidiano, conhecida por ácido cinurénico, e aos sintomas de doença.
 

Os investigadores conduziram várias experiências de forma a identificarem uma provável via de sinalização envolvida desde o aparecimento da variante de risco genético aos sintomas clínicos envolvidos na psicose e distúrbio cognitivo.
 

“A via envolve principalmente a sinalização através das células imunológicas cerebrais, e difere portanto da forma como os fármacos atuam atualmente. Esperamos que estes novos mecanismos que descobrimos ajudem no desenvolvimento de fármacos mais específicos”, revelou, em comunicado de imprensa, Mikael Landén.
 

Apesar de todos os participantes incluídos no estudo sofrerem de doença bipolar, os investigadores acreditam que os mecanismos identificados podem ser aplicados a outras doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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