Doença bipolar: investigadores preveem flutuações de humor em modelo animal

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

04 abril 2016
  |  Partilhar:

Investigadores japoneses conseguiram prever com sucesso flutuações de humor ao estudarem os padrões de expressão genética no cérebro num modelo de ratinho para a doença bipolar, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

Os indivíduos com doença bipolar, também conhecida por doença maníaca depressiva, têm flutuações de humor e comportamento, que podem ocorrer em ciclos que duram dias, meses ou anos. Apesar de estas alterações já terem sido descritas há mais de meio século, as bases moleculares ainda permanecem por esclarecer.
 

Os investigadores do Instituto de Ciência Médica da Universidade de saúde de Fujita e dos laboratórios ATR Computational Neuroscience, no Japão, constataram que os genes circadianos, cujas expressões aumentam e diminuem durante as 24 horas do dia, encontram-se exageradamente expressos no conjunto de genes preditivos, o que demonstra que há uma ligação entre os genes circadianos no cérebro e as alterações de humor.
 

Após terem testado mais de 180 estirpes de ratinhos mutantes, os investigadores, liderados por Tsuyoshi Miyakawa, constataram que os ratinhos com uma mutação no gene αCaMKII apresentavam défices de comportamento e outras características cerebrais consistentes com a doença bipolar. Estes animais também apresentavam alterações na atividade locomotora ao longo de um ciclo de cerca de 10 a 20 dias. As alterações da atividade locomotora estão associadas a flutuações de comportamentos de ansiedade e depressão, o que sugere que estes ratinhos podem funcionar como modelo animal, demonstrando oscilações infradianas (mais de um dia) semelhantes aos indivíduos com doença bipolar. Estudos recentes realizados em humanos também indicaram que existe uma associação genética entre o gene αCaMKII e doença bipolar.
 

No estudo, os investigadores utilizaram a atividade locomotora cíclica infradiana dos ratinhos mutados como indicador das alterações de humor.
 

Os investigadores começaram por monitorizar a atividade locomotora de 37 ratinhos com mutações no gene αCaMKII através do cálculo da distância percorrida nas gaiolas, ao longo de mais de dois meses. Posteriormente, dissecaram o hipocampo, uma região do cérebro envolvida na regulação do humor.
 

Os padrões de expressão genética do hipocampo foram analisados através de uma técnica que é capaz de medir a expressão de mais de 30 mil genes por amostra. Com base nestes dados, os investigadores construíram modelos para prever retrospetivamente a atividade locomotora de cada animal. Verificou-se que os padrões de expressão genética no hipocampo previram com precisão se os animais estavam com uma atividade locomotora alta ou baixa.
 

Após terem analisado a lista de genes utilizados para a previsão da atividade locomotora, os investigadores verificaram que esta incluía um número elevado de genes circadianos, genes conhecidos por variarem de acordo com o ritmo circadiano. Os genes circadianos revelaram-se também genes infradianos, cujas expressões sofrem alterações de acordo com as flutuações de humor dos ratinhos.
 

O estudo apurou que os fármacos utilizados no tratamento da doença bipolar eram capazes de controlar a atividade locomotora. “Apesar de o estudo ser para já limitado a um modelo animal da doença bipolar, a regulação eficaz das alterações moleculares pode conduzir a um tratamento da doença bipolar”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.