Doença bipolar e depressão: hormona pode melhorar função cognitiva dos pacientes

Estudo da Universidade de Copenhaga

21 setembro 2016
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A hormona eritropoetina pode melhorar a função cognitiva dos pacientes que sofrem de doença bipolar ou depressão, dá conta um estudo apresentado na conferência Europeia do Colégio de Neuropsicofarmacologia.
 

A eritropoetina, produzida maioritariamente no rim, é essencial para a produção de eritrócitos. Esta hormona fornece ao sangue uma melhor capacidade para transportar o oxigénio e é esta característica que a torna atrativa como um fármaco que melhora o desempenho físico. Clinicamente, a eritropoetina recombinada é utilizada no tratamento da anemia.
 

A maioria das pessoas acredita que a doença bipolar e a depressão são condições que afetam apenas o humor, contudo estas também alteram a função cognitiva. A diminuição da capacidade de raciocínio pode ter efeitos prejudiciais nestes pacientes, uma vez que pode dificultar a permanência num emprego, o sucesso de um exame ou também o facto de um indivíduo conseguir manter uma relação.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, contaram com a participação de 79 pacientes com doença bipolar ou depressão. A eritropoetina foi administrada a 40 pacientes ao longo de nove semanas, tendo os restantes 39 recebido um placebo.
 

Os investigadores apuraram que a eritropoetina teve efeitos benéficos no desempenho de vários testes cognitivos, incluindo testes de avaliação de memória verbal, atenção e capacidade de planeamento. O estudo apurou que estas melhorias se mantiveram pelo menos seis semanas após o tratamento ter terminado.
 

Kamilla Miskowiak, a líder do estudo, referiu que os pacientes tratados com a eritropoetina apresentavam uma melhoria cognitiva cinco vezes maior, comparativamente com os pacientes tratados com o placebo. Os indivíduos aos quais foi administrada a eritropoetina apresentaram uma melhoria de 11%, comparativamente com os 2% atingidos pelos pacientes do grupo do placebo.
 

A cientista acrescentou que estes resultados são interessantes uma vez que significam que será possível direcionar os pacientes para o tratamento com eritropoetina, e possivelmente para outros futuros tratamentos cognitivos, com base no seu desempenho nos testes neuropsicológicos.
 

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 350 milhões de pessoas sofram de depressão, e mais de 60 milhões de distúrbio bipolar. Contudo, os fármacos habitualmente utilizados no tratamento destas duas condições não tem qualquer efeito significativo na função cognição.

 

Até 70% dos doentes em remissão da doença bipolar e até 40% em remissão de depressão continuam a ter problemas cognitivos. Atualmente não existe um tratamento eficaz que tenha por alvo este tipo de problemas nestes pacientes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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