Doença bipolar: crise pode conduzir a maior procura de ajuda

Declarações da Sociedade de Psiquiatria e Saúde Mental

24 outubro 2011
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Luísa Figueira revelou à agência Lusa que esta doença “tem um componente biológico importante, a sua prevalência tem sido mais ou menos constante ao longo do tempo e não é tão dependente de factores externos como são outras patologias psiquiátricas”. No entanto, episódios da doença podem ser precipitados com problemas que afectam o dia-a-dia destes pacientes.
 

“A doença já existe nas pessoas, elas estão equilibradas, mas o facto de terem estes traumas e esta ansiedade ligada à crise económica podem precipitar episódios da doença”, disse Luísa Figueiras.
 

De acordo com vice-presidente da Sociedade de Psiquiatria e Saúde Mental, a doença bipolar tipo um, a mais grave, afecta entre um e dois por cento da população e a tipo dois pode chegar aos quatro por cento. Contudo, a psiquiatra refere que “há formas menos atenuadas da doença que podem chegar aos 6%”.
 

A doença bipolar, que afecta cerca de 600 mil portugueses, caracteriza-se por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e “mania”. Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves.
 

No entanto, esta doença não sempre é fácil de diagnosticar. “Às vezes demora-se alguns anos para perceber que o doente é bipolar, principalmente a doença tipo um”, revela a psiquiatra.
 

Luísa Figueiras explica que estes doentes correm um grande risco de deixarem de tomar a medicação. “Estes doentes estão conscientes, lúcidos na maior parte do tempo e, como se sentem bem, tendem a abandonar a medicação”. A falta de medicação e disciplina destes doentes para terem um horário certo para dormir e comer são “factores negativos” e que podem precipitar episódios da doença.
 

A médica chama ainda atenção para o facto de a subida dos preços dos medicamentos, nomeadamente anti-depressivos, anti-psicóticos e estabilizadores de humor também poder agravar esta situação.
 

Assim, e de acordo com a psiquiatra, “a família e os amigos têm um papel muito importante” para detectar os primeiros sintomas de uma crise, alertando que a bipolaridade “é uma doença com alto risco de suicídio”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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