Doença bipolar associada a níveis baixos de ácidos gordos ómega-3

Estudo publicado na revista “Bipolar Disorders”

01 dezembro 2015
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Os indivíduos com doença bipolar têm níveis baixos de determinados ácidos gordos ómega-3 que atravessam a barreira sangue cérebro comparativamente com aqueles que não atravessam. O estudo publicado na revista “Bipolar Disorders” pode, desta forma, ter implicações nas intervenções dietéticas da doença.
 
Os ácidos gordos são considerados uma das áreas principais de interesse na doença bipolar e depressão devido à sua importância no cérebro. Estudos anteriores têm demonstrado que os suplementos de ácidos gordos podem ser úteis na depressão. Contudo, os efeitos destes ácidos na doença bipolar ainda continuam por esclarecer.
 
Para o estudo os investigadores do Colégio de Medicina de Penn State, nos EUA, contaram com a participação de 27 indivíduos com doença bipolar sintomática e em 31 indivíduos saudáveis. Foram medidos, em todos os participantes, os níveis dos ácidos gordos ómega-3 e ácidos gordos ómega-6. Os investigadores também recolheram informação relativamente ao consumo de ácidos gordos e toma de medicação contra a doença bipolar.
 
Os ácidos gordos livres são capazes de atravessar a barreira sangue cérebro, ao contrário dos ácidos gordos associados a proteínas. Os ácidos gordos ómega-3 são um componente importante das membranas celulares do cérebro e estão envolvidos na comunicação das células cerebrais. Verificou-se que nos pacientes com doença bipolar, a proporção entre os ácidos gordos ómega-3 livres em circulação e ácidos gordos ómega-3 associados a proteínas era menor do que nos indivíduos saudáveis. 
 
“Isto significa que a disponibilidade dos ácidos gordos ómega-3 no organismo é menor nos indivíduos com doença bipolar”, explicou, a líder do estudo, Erika Saunders.
 
O estudo apurou ainda que a proporção entre os ácidos gordos ómega-3 livres em circulação e ácidos gordos ómega-3 associados a proteínas estava envolvida nos sintomas da doença bipolar, especificamente mania e tendência para o suicídio.
 
Os ácidos gordos ómega-3 e 6 também desempenham um papel importante no sistema imunológico e inflamatório. Contudo, não foram encontradas alterações nas proporções destes ácidos nos indivíduos com doença bipolar.   
 
Apesar de o estudo ter constatado que os pacientes com doença bipolar tinham níveis mais baixos de ácidos gordos ómega-3 e que estes estavam associados aos sintomas, Erika Saunders acredita que ainda são necessários mais estudos de forma a ser aconselhada uma alteração nos hábitos alimentares destes pacientes, nomeadamente no que diz respeito ao consumo de suplementos ácidos gordos ómega-3. 
 
Os investigadores esperam, em estudos futuros, descobrir quais as alterações dietéticas que podem ajudar os pacientes com doença bipolar para que estes tenham outras opções para além dos fármacos disponíveis atualmente.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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