Doença Alzheimer: probióticos melhoram função cognitiva

Estudo publicado na revista “Frontiers in Aging Neuroscience”

15 novembro 2016
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Os probióticos podem melhorar a função cognitiva dos humanos, sugere um estudo publicado na revista “Frontiers in Aging Neuroscience”.
 

Os probióticos são conhecidos por fornecer uma proteção parcial contra determinadas diarreias infeciosas, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória do intestino, eczema, alergias, constipações, cáries e doença periodontal.
 

Por outro lado, há muito que os cientistas colocaram a hipótese de os probióticos também conseguirem impulsionar a função cognitiva, uma vez que há uma comunicação contínua entre a flora intestinal, o trato gastrointestinal, o cérebro, o sistema imunitário e as hormonas.
 

Experiências realizadas em ratinhos têm demonstrado que os probióticos melhoram a aprendizagem e memória, reduzem a ansiedade e a depressão e sintomas semelhantes aos associados ao distúrbio obsessivo compulsivo. Contudo, até à data, existiam poucas evidências de quaisquer benefícios para os seres humanos.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Kashan e da Universidade Islâmica Azad, no Irão, contaram com a participação de 53 mulheres e homens com doença de Alzheimer, que tinham entre os 60 e os 95 anos. A metade dos pacientes foi administrado 200 ml de leite enriquecido com quatro bactérias probióticas: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus casei, Lactobacillus fermentum e Bifidobacterium bifidum. A outra metade bebeu apenas leite.
 

No início e no final das 12 semanas do período experimental, foram retiradas e analisadas amostras de sangue. Os participantes foram também submetidos a um questionário, o MMSE, no qual foram questionados sobre a data atual, lhes foi pedido para contar para trás a partir de 110 de sete em sete números, nomear objetos, repetir uma frase e copiar uma imagem.
 

O estudo apurou que a média dos resultados do questionário aumentou significativamente apenas no grupo que recebeu antibióticos, aumentando de 8,7 para 10,6. Apesar de este ser um aumento moderado e de todos os participantes continuarem com problemas cognitivos severos, os resultados são importantes pois demonstram pela primeira vez que os probióticos podem aumentar a função cognitiva humana.
 

Em estudos futuros deverão ser incluídos mais participantes e tempos mais longos de forma a testar se os efeitos benéficos dos probióticos ficam mais fortes após um longo período de tempo.
 

O tratamento com probióticos conduziu também a níveis mais baixos de triglicerídeos, de lipoproteína de densidade muito baixa, de proteína C reativa altamente sensível, no sangue dos pacientes com doença de Alzheimer. Verificou-se também uma redução de duas medidas na resistência à insulina e atividade de células produtoras de insulina no pâncreas.
 

Mahmoud Salami, um dos autores do estudo, referiu que estes resultados sugerem que as alterações nos ajustes metabólicos podem ser um mecanismo através do qual os probióticos afetem a doença de Alzheimer e possivelmente outras doenças neurológicas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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