Doacção de óvulos

Um comunicado do Comité Ético da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva aborda algumas das questões relacionadas com esta matéria que se levantam na mente de quase toda a gente.

18 agosto 2001
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Casais que não podem ter filhos biológicos podem pedir ajuda a uma dadora de óvulos. A mulher dadora é, então, tratada com hormonas para induzir a ovulação, os óvulos são colhidos e fertilizados in vitro (em laboratório), habitualmente com o esperma do marido da mulher infértil, e os ovos fertilizados são inseridos no útero da mulher infértil ou de outra mulher que sirva de portadora do feto.
 

 

O recurso a uma dadora de óvulos pode ser um opção para mulheres inférteis devido a idade avança, remoção cirúrgica dos ovários, tratamentos anteriores contra o cancro por quimioterapia ou radioterapia ou menopausa precoce.
 

 

Um anúncio publicado nas principais universidades americanas no ano passado, oferecendo cerca de 10 mil contos a uma dadora de óvulos, gerou grande polémica nos Estados Unidos. A candidata a dadora teria de ter quase 1.80 m de altura e boas classificações em testes de aptidão realizados a nível nacional durante a sua carreira, para além de ser atlética e sem história de doenças familiares.
 

 

A soma atraiu a atenção da imprensa. Todavia, é muito comum encontrar anúncios deste tipo em escolas como a Universidade de Stanford, já que os casais inférteis acreditam poder encontrar aí dadores com grandes capacidades intelectuais e fisicamente atraentes.
 

 

Um comunicado do Comité Ético da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, uma organização médica americana, publicado na revista Fertility and Sterility (2000;74: 216-220) e difundido pela agência Reuters, veio agora abordar algumas das questões relacionadas com esta matéria que se levantam na mente de quase toda a gente. Nomeadamente, quanto ao uso de incentivos financeiros para obtenção de óvulos.
 

 

Um porta-voz do grupo, diz que a existência destes incentivos pode levar certas pessoas a a subavaliar o risco envolvido no processo de doação (risco aumentado de gravidez por impossibilidade de utilização de contraceptivos, infecção durante a colheita cirúrgica, efeitos laterais dos fármacos utilizados para induzir a ovulação e possível perda de fertilidade no futuro, além de eventuais custos psicológicos e má interpretação de determinadas implicações legais do processo) e dar a ideia ao grande público de que as crianças são mais um bem que se pode mandar vir por encomenda, passe a expressão, desde que se possa dispor da quantia certa.
 

 

Este comité, composto por especialistas em Medicina, Lei e Ética, considera que um dador de óvulos não deveria receber mais do que mil a dois mil contos por doação, estimativa baseada nas actuais ofertas de clínicas americanas (500 a mil contos) e no tempo dispendido em ambientes hospitalares durante o processo de doacção.
 

 

Este comité também defende que qualquer dador que não seja seleccionado por qualquer razão, seja compensado pelo tempo dispendido durante o processo. Além disso, o montante a pagar não dever ser baseado no sucesso no tratamento ou no número de óvulos colhidos. Este documento recomenda ainda que deve existir um limite para o número de vezes que uma mulher doa óvulos, entre outras medidas.

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