Doação renal cruzada nunca foi realizada em Portugal

Não realização deve-se à falta de compatibilidade entre candidatos

27 agosto 2012
  |  Partilhar:

Há dois anos que é possível realizar a doação cruzada em Portugal, através da troca de rins entre dois ou mais pares. No entanto, de acordo com fonte oficial, nenhum cruzamento foi realizado até hoje por falta de compatibilidade entre os candidatos.

 

Em comunicado à agência Lusa, Hélder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), disse que, apesar do “esforço dos peritos do Programa Nacional de Doação Renal Cruzada (PNDRC) e do número significativo de pares inscritos”, até ao momento, não foi possível efetuar nenhum cruzamento com os pares inscritos no PNDRC .“Os doentes inscritos neste programa estão muitas vezes em situação de aloimunização (anticorpos contra as células do dador), o que dificulta a escolha do dador e por isso a transplantação, motivo pelo qual se faz este esforço”.

 

“Todas as medidas que implementem a transplantação renal são vantajosas”, afirma o presidente do IPST, já que o transplante renal se tem “revelado como um tratamento eficaz para a insuficiência renal crónica terminal, em termos de sobrevivência e de qualidade de vida”.

 

No caso da doação cruzada há “vantagens que justificam o programa”, uma vez que se tenta “não só transplantar mais, mas ajudar aqueles que mais dificuldade têm em ser transplantados, mesmo tendo um dador vivo”.

 

Hélder Trindade afirmou ainda que a “dádiva em vida de rim, sendo complementar em relação à dádiva post mortem, constitui uma alternativa cada vez mais utilizada, dada a qualidade dos resultados obtidos com transplante de dador vivo, mesmo nos casos de dador vivo não relacionado, e a dificuldade de satisfazer, com rins de dador cadáver, as necessidades crescentes de rins para transplante”.

 

“As incompatibilidades de grupo sanguíneo AB0 ou de sistema HLA (antigénios de leucócitos humanos) e a existência de anticorpos contra este sistema HLA são as principais limitações em transplantação renal à dádiva em vida verificadas em alguns pares dador-recetor”, afirmou.

 

“A doação renal cruzada constitui assim uma alternativa que permite ultrapassar esta limitação, oferecendo aos doentes com insuficiência renal crónica a possibilidade de transplante mediante troca de rins entre dois ou mais pares dador-recetor, de maneira a que cada um dos recetores receba um rim adequado e os dadores realizem o seu desejo de doação”, adiantou Hélder Trindade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.