Diz-me como usas o telemóvel, dir-te-ei quem és
18 outubro 2001
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A vulgarização do telemóvel está a favorecer o aparecimento de uma nova disciplina científica que se debruça sobre a análise psico-sociológica dos seus utilizadores.
 

 

Segundo um estudo de âmbito mundial patrocinado pelo gigante das telecomunicações móveis Motorola, no universo dos telemóveis não existem classes intermédias mas sim, basicamente, dois grupos sociais.
 

 

Por isso, aos utilizadores não restam muitas mais alternativas que optar entre ser um exibicionista («outie») ou um introvertido («innie») no momento de reagir ao toque do telemóvel.
 

 

Estes são os dois únicos grupos sociais distintos que existem no mundo da comunicação móvel, segundo a especialista Sadie Plant.
 

 

Dos introvertidos aos exibicionistas
 

 

No caso dos introvertidos, «quando efectuam ou recebem uma chamada é habitual deixarem a mesa ou, pelo menos, encetarem um gesto de desculpa, virando-se de costas», relata Plant.
 

 

Na opinião de Plant, para estes «o telefone é considerado de forma tácita como um estranho, algo que não deveria ter prioridade sobre as solicitações dos que estão presentes».
 

 

Do outro lado estão os exibicionistas. Se gosta de exibir o seu telefone em público, se quando chega a um restaurante o coloca em cima da mesa, se recebe uma chamada e permanece sentado, impávido, enquanto prossegue a sua conversa, ou pior, se tenta manter as duas conversas, a interpessoal e a telefónica, ao mesmo tempo, então existem poucas dúvidas: «é um exibicionista, e pouco o pode ajudar».
 

 

Conflitos
 

 

O verdadeiro problema surge quando se misturam pessoas dos dois grupos no mesmo círculo social.
 

 

Nessa altura podem surgir conflitos onde o telemóvel «é fonte de tensão, desacordo e antipatia. Nesses grupos existem sinais claros de tensão quando o telemóvel é utilizado sem consideração para com os presentes», segundo o estudo.
 

 

Telemóvel e sexo
 

 

Por outro lado, o telemóvel possibilita igualmente uma ou, melhor, várias leituras sexuais.
 

 

Para começar, um em cada dez utilizadores de telemóvel possui um segundo aparelho para aventuras sexuais ou outras utilizações secretas e pessoais, sobretudo porque em alguns países a factura discriminada das chamadas transformou-se numa das principais provas de adultério.
 

 

Outra leitura sexual é a observada por Plant após percorrer várias cidades do mundo, Chicago (EUA), Peshawar (Paquistão), Londres e Birmingham (Grã Bretanha), Tóquio (Japão), Banguecoque (Tailândia), Pequim e Hong Kong (China) e Dubai (Emirados Árabes Unidos).
 

 

Homens
 

 

Segundo Plant, entre os homens adultos existe uma tendência para mostrar os seus telemóveis com orgulho, sem dissimulação, especialmente se se encontram num grupo totalmente masculino.
 

 

Aliás, os homens utilizam os telemóveis para expressar o seu nível de agressividade perante outros homens, ou em actividades próximas do ritual de acasalamento face às mulheres.
 

 

No entanto, é provavelmente entre os adolescentes onde se observa um dos efeitos mais profundos do telemóvel.
 

 

Por exemplo, os jovens de Tóquio são apelidados de «geração polegar», dada a habilidade com que jogam e teclam mensagens nos seus telemóveis com os dedos polegares.
 

 

Plant ficou surpreendida também com a facilidade com que os ciclistas de Pequim manejam o veículo enquanto fazem chamadas telefónicas.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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